sábado, 30 de abril de 2011

Prato fundo

Prato fundo

Hoje acordei com fome

Fazia tempo

Que ela não me visitava

Quero bolo quentinho

Saído do forno à pouco

Pamonha

Canjica

Ovo frito

Ou poché

Quero torradas

Com geléia

Com margarina

Ou requeijão

Pão de queijo

Pão com queijo

Com presunto

Com mortadela

Pra beber pode ser suco

De laranja ou maracujá

Ou quem sabe leite

Com nescáu

Tem sonho?

De creme ou goiabada?

Cartola?

Aceito!

Quero torradinha

De alho

Brioches

Iogurte com linhaça

Cereais com leite

Granola

Nutella

Muita nutella

Quero tudo

Que tenho direito

Pois hoje acordei com fome

Quero prato fundo

Nota: Queria ter esse apetite todo dia, queria sempre acordar com ele. O café da manhã é sempre minha pior refeição do dia.
[Mente Hiperativa]

Traição


Traição

Ela esqueceu o valor da ética

Esqueceu-se do compromisso que tinha

Desviou do seu caráter

Não tinha mais noção de certo e errado

Entregou-se ao impulso incontrolável

Animal e inconsequente

[Mente Hiperativa]

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Você e eu, o sol e a lua


Você e eu, o sol e a lua


E é por isso que a gente nunca dá certo

Eu sou muito superficial pra você

Você, sentimental demais pra mim

Eu não me apego facilmente

Nem suporto teus dramas

E você me sufoca com suas constantes investidas

Talvez sejamos o sol e a lua

Que se admiram de longe

Flertam

Achando que formam um belo casal

Mas nunca consumam o amor

Nunca se consomem

Já estão por natureza distantes

Cada um pertencendo a um mundo

E só têm as estrelas como testemunhas

[Mente Hiperativa]

A aliança


A aliança

Mais uma do livro "As mentiras que os homens contam", de Luís Fernando Veríssimo. Essa trata de um tema que a ciência Jamais conseguiu desvendar, a mente feminina.


Esta é uma história exemplar, só não está muito claro qual é o exemplo. De qualquer jeito, mantenha-a longe das crianças. Também não tem nada a ver com a crise brasileira, o apartheid, a situação na América Central ou no Oriente Médio ou a grande aventura do homem sobre a Terra. Situa-se no terreno mais baixo das pequenas aflições da classe média. Enfim. Aconteceu com um amigo meu. Fictício, claro.

Ele estava voltando para casa como fazia, com fidelidade rotineira, todos os dias à mesma hora. Um homem dos seus 40 anos, naquela idade em que já sabe que nunca será o dono de um cassino em Samarkand, com diamantes nos dentes, mas ainda pode esperar algumas surpresas da vida, como ganhar na loto ou furar-lhe um pneu. Furou-lhe um pneu. Com dificuldade ele encostou o carro no meio-fio e preparou-se para a batalha contra o macaco, não um dos grandes macacos que o desafiavam no jângal dos seus sonhos de infância, mas o macaco do seu carro tamanho médio, que provavelmente não funcionaria, resignação e reticências...

Conseguiu fazer o macaco funcionar, ergueu o carro, trocou o pneu e já estava fechando o porta-malas quando a sua aliança escorregou pelo dedo sujo de óleo e caiu no chão. Ele deu um passo para pegar a aliança do asfalto, mas sem querer a chutou. A aliança bateu na roda de um carro que passava e voou para um bueiro. Onde desapareceu diante dos seus olhos, nos quais ele custou a acreditar. Limpou as mãos o melhor que pôde, entrou no carro e seguiu para casa. Começou a pensar no que diria para a mulher. Imaginou a cena. Ele entrando em casa e respondendo às perguntas da mulher antes de ela fazê-las.
— Você não sabe o que me aconteceu!
— O quê?
— Uma coisa incrível.
— O quê?
— Contando ninguém acredita.
— Conta!
— Você não nota nada de diferente em mim? Não está faltando nada?
— Não.
— Olhe.
E ele mostraria o dedo da aliança, sem a aliança.
— O que aconteceu?
E ele contaria. Tudo, exatamente como acontecera. O macaco. O óleo. A aliança no asfalto. O chute involuntário. E a aliança voando para o bueiro e desaparecendo.
— Que coisa - diria a mulher, calmamente.
— Não é difícil de acreditar?
— Não. É perfeitamente possível.
— Pois é. Eu...
— SEU CRETINO!
— Meu bem...
— Está me achando com cara de boba? De palhaça? Eu sei o que aconteceu com essa aliança.
Você tirou do dedo para namorar. É ou não é? Para fazer um programa. Chega em casa a esta hora e ainda tem a cara-de-pau de inventar uma história em que só um imbecil acreditaria.
— Mas, meu bem...
— Eu sei onde está essa aliança. Perdida no tapete felpudo de algum motel. Dentro do ralo de alguma banheira redonda. Seu sem-vergonha!
E ela sairia de casa, com as crianças, sem querer ouvir explicações. Ele chegou em casa sem dizer nada. Por que o atraso? Muito trânsito. Por que essa cara? Nada, nada. E, finalmente:
— Que fim levou a sua aliança? E ele disse:
— Tirei para namorar. Para fazer um programa. E perdi no motel. Pronto. Não tenho desculpas. Se você quiser encerrar nosso casamento agora, eu compreenderei.
Ela fez cara de choro. Depois correu para o quarto e bateu com a porta. Dez minutos depois reapareceu. Disse que aquilo significava uma crise no casamento deles, mas que eles, com bom-senso, a venceriam.
O mais importante é que você não mentiu pra mim.
E foi tratar do jantar.

Nota: Quem entende as mulheres? QUEM???

[Mente Hiperativa]

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Estou fora dessa!


Estou fora dessa!

Você me culpa por eu não fazer das suas as minhas inimizades, reclama por eu dar atenção e valor àqueles que você tem raiva ou que te decepcionaram em algum momento da vida. É que eu não consigo tomar as dores de outra pessoa como se fossem minhas, ainda que sejam as suas dores, não sei passar por cima dos meus valores e me impor sentimentos que não são meus.

As minha inimizades, poucas que são, eu engulo, me afasto, prefiro não encará-las de frente, deixo-as quietas vivendo suas vidas longe de mim. Não gosto de remoer o que não deu certo, não consigo nutrir o rancor dentro de mim, e guardá-lo, e colocá-lo pra fora na primeira oportunidade, alimentando-o silenciosamente em meu peito. Eu não sei fazer isso que você faz.

Por isso não me peça, não insista, eu não vou vou mudar minha mentalidade, eu não vou assimilar intrigas e inverter valores. Se em todos esses anos você ainda não percebeu, então eu te digo: "não adianta você insistir, eu não vou entrar nesse jogo em que se somam perdedores, derrotados pelas suas próprias atitudes. Estou fora dessa!"

[Mente Hiperativa]

Afobado

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Afobado

Trecho da canção futuros amantes, de Chico Buarque.


"Não se afobe, não

Que nada é pra já

Amores serão sempre amáveis

Futuros amantes, quiçá

Se amarão sem saber

Com o amor que eu um dia

Deixei pra você"

Nota: Pra quê a pressa?

[Mente Hiperativa]

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Malditas!


Malditas!

É durante o dia que o mundo funciona, as pessoas trabalham, o comércio ferve, as crianças vão à escola, o trânsito torna-se caótico e as indústrias produzem pra sustentar o imenso mercado consumidor que não pára de crescer. No entanto elas dormem, silenciosas, quietinhas, diria até invisívies, porque não.

Entretanto ao anoitecer elas se acordam, cada uma veste seu repugnante uniforme de trabalho, sua carapaça que mais parece uma armadura de guerra, e então brotam do chão, das calhas e esgotos, dos lugares mais imundos e fétidos que se possa imaginar, sempre carregando consigo milhares de microorganismos nocivos, doenças, e um fedor incrível. Sim, elas fedem, pode acreditar!

Em diversas frentes de ataque elas surgem na sala, nos banheiros e sobretudo na cozinha, sobem pelas paredes, se escondem em qualquer brecha mínima e algumas até voam. São uma verdadeira praga, comem de tudo, de resto de chocolate à miolo de pão mastigado e pisado do resto de café-da-manhã, seu paladar não é nem um pouco exigente.

À noite o mundo descansa, repousa merecidamente enquanto elas se aproveitam pra fazer uma festa, um banquete às nossas custas; e você dormindo, inocente, sem saber de nada que acontece ali a alguns metros, bem debaixo das suas narinas. Mas um dia, ou melhor, uma noite, resolvi me levantar pra beber água no meio da madrugada e então descobri a farra que acontecia na minha cozinha (logo a minha cozinha que eu julgava tão limpa), já pelo corredor encontrei algumas 'meliantes' fugindo e correndo. E eu atrás delas com o chinelo na mão. De nada adianta, elas são ágeis, e tem muitos esconderijos na rota de fuga.

A partir desse dia eu passei a investigá-las, seus hábitos e costumes, comprei diversos produtos, aerosóis, sólidos, armadilhas, e também uma espécie de gel, tudo na tentativa de exterminá-las; mesmo sabendo que há uma fábrica delas, um exército produzido diariamente embaixo dos nossos pés, no esgoto. Desde então eu não tenho mais uma noite de sono, tentando eliminar essas malditas da minha cozinha, malditas baratas!

Nota: Morte às baratas!!!

[Mente Hiperativa]

Prestativo, até Demais


Prestativo, até Demais

- Não sei qual o meu problema, eu faço tudo pelos outros mas ninguém me valoriza.

- ESSE é o problema, fazer Tudo pelos outros...
Nota: E tem gente que não aprende.

[Mente Hiperativa]

terça-feira, 26 de abril de 2011

Cinzas de um dia

Cinzas de um dia

O céu estava cinzento

Os prédios também

Concreto e cimento

Os pássaros calados

Pousados no muro

O tempo sem vento

Sem sol, sem cor

E eu na janela

Contemplando

Admirando as cinzas

Cinzas do meu dia

Ou o que sobrou dele

Nota: Tem dia que o dia é assim.

[Mente Hiperativa]

Invencionice


Invencionice

Texto de Paulo Francisco, do blog Cores e nomes.


Inventei um amor
chamá-lo-ei de minha flor
inventei seu formato
seu perfume
e sua cor
Inventei uma flor
Vou chamá-la de meu amor
inventei seu coração
sua batidas
e suas emoções
Inventei você
[me inventei também]
Inventei o céu mais azulzinho
o sol mais amarelinho
a lua mais menina
e o vento sempre em brisa
pra nos acariciar
Inventei um mundo
meu mundo
Sou criador
de mim
e de você
- minha flor,
meu amor.


[Mente Hiperativa]

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Despertar


Despertar


Eu gosto de despertar em você, o bem e o mal. Gosto de te fazer sorrir e chorar. De alegria. De emoção. De tristeza? Quero sentir que você está vivendo, que tem sangue correndo nas veias, que reage ao que eu digo, que me odeia, que me ama, que me quer, que NÃO me quer, e ainda assim fica comigo, como eu sou.

[Mente Hiperativa]

Psique


Psique
Trecho retirado do livro "O livro de ouro da mitlogia - Histórias de deuses e heróis", do Thomas Bulfinch.

A lenda de Cupido e Psique é, geralmente, considerada alegórica. Psique em grego significa tanto borboleta quanto alma. Não há alegoria mais notável e bela da imortalidade da alma como a borboleta, que, depois de estender as asas do túmulo em que se achava, depois de uma vida mesquinha e rastejante como lagarta, flutua no ar do dia e torna-se um dos mais belos e delicados aspectos da primavera.

Psique é, portanto, a alma humana, purificada pelos sofrimentos e infortúnios, e preparada, assim, para gozar a pura e verdadeira felicidade.

[Mente Hiperativa]

domingo, 24 de abril de 2011

Bocas


Bocas

No escuro

dos olhos fechados

elas se encontram

se acham

se encaixam

molhadas

e se moldam

se enroscam

pedem carinho

e afago

mãos

e abraços

amassos

são o princípio

de outros encontros

de membros

de corpos

de sentimentos

é o começo

eu acho

de toda bela história

chamada:

Amor


[Mente Hiperativa]

Fase maníaca


Fase maníaca


Poema escrito por Tereza Cristina em seu livro chamado Vidas escondidas.


Acordei com uma alegria contagiante
Assoviando e cantando: "Viver e não ter a vergonha de ser feliz..." (Gonzaguinha).
Minha auto-estima estava no céu
E eu aqui na terra
Cheia de energia,
Resolvi fazer uma faxina geral
aproveitando toda a disposição
Que logo deixei pela metade para
Ler um livro,
Que deixei pra atender um telefonema
E assim por diante. Nada concluir.
Nem passava pela minha cabeça que não
Dormia há quatro dias
E este vigor físico
Não era normal.
Afinal estava acontecendo
Uma mudança de humor
Neste momento é a
Hora exata de marcar
Uma consulta
Para abortar a possível crise
Que está por vir.

Nota: É sempre assim... Depois da euforia, depressão. É só esperar.

[Mente Hiperativa]

sábado, 23 de abril de 2011

Só por hoje...


Só por hoje...

Essa frase é comum em grupos de ajuda a viciados em jogos de aposta, álcool, drogas e tantas outras coisas:
“só por hoje não vou dar o primeiro lance”, “só por hoje não vou dar o primeiro gole.”
Entendi que é assim que se vence um mau hábito, um dia de cada vez, uma luta a todo momento pra não cair de novo em tentação. É assim que se muda e se vive uma vida melhor.

Diante desse pensamento eu acabo de elaborar minha cartilha a ser seguida diariamente:

Só por hoje não vou me aborrecer com bobagens

Só por hoje vou sorrir para todos que cruzarem meu caminho

Só por hoje vou me alimentar corretamente

Só por hoje vou obedecer meu coração

Só por hoje vou me entregar aos meus sentimentos

Só por hoje vou me divertir

Só por hoje vou cumprir minhas obrigações

Só por hoje vou ter bons pensamentos

Só por hoje vou querer estar com as pessoas que amo

Só por hoje vou ser educado e cordial com todos

Só por hoje vou ouvir muita música

Só por hoje vou ser solícito e ajudar quem precisa

Só por hoje vou ser responsável

Só por hoje vou ligar pra aquela pessoa que há tempos não vejo

Só por hoje vou dizer muitos e sinceros “eu te amo”

Só por hoje vou abraçar sem qualquer justificativa

Só por hoje não vou me entregar à preguiça

Só por hoje não vou dar corda aos pensamentos depressivos e negativos

Só por hoje vou ser feliz!


[Mente Hiperativa]

Contato Imediato



Contato Imediato

Composição: Arnaldo Antunes / Marisa Monte / Carlinhos Brown

Peço por favor
Se alguém de longe me escutar
Que venha aqui pra me buscar
Me leve para passear

No seu disco voador
Como um enorme carrossel
Atravessando o azul do céu
Até pousar no meu quintal

Se o pensamento duvidar
Todos os meus poros vão dizer
Estou pronto para embarcar
Sem me preocupar e sem temer

Vem me levar
Para um lugar
Longe daqui
Livre para navegar
No espaço sideral
Porque sei que sou

Semelhante de você
Diferente de você
Passageiro de você
À espera de você

No seu balão de são joão
Que caia bem na minha mão
Ou numa pipa de papel
Me leve para além do céu

Se o coração disparar
Quando eu levantar os pés do chão
A imensidão vai me abraçar
E acalmar a minha pulsação

Longe de mim
Solto no ar
Dentro do amor
Livre para navegar
Indo para onde for
O seu disco voador

Nota: Às vezes espero alguém vir me buscar e me levar daqui. Mas ninguém nunca vem...

[Mente Hiperativa]

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Fantasia de sexta-feira


Fantasia de sexta-feira

Mais uma noite de sexta-feira, ela chegou do trabalho cansada mas mesmo assim queria sair pra curtir a noitada. Ela tirou seu uniforme sério, sóbrio, e tomou um banho de banheira bem longo e relaxante pra só depois se arrumar, vestir a fantasia pra ir pra balada. Não, não era 'festa à fantasia' que ela ia, pelo menos não fantasia da maneira que você pode estar pensando, no estilo carnaval. A sua fantasia era a mesma de toda sexta-feira à noite, provocante, exuberante, libidinosa, ela se fantasiava de femme fatale.

No dia-a-dia ninguém sabia, ninguém notava, ela sempre foi uma mulher bem séria e discreta no trabaho, em casa, na vida, enfim, mas na balada ela se transformava, vestia sua fantasia e encarnava o melhor de Sharon Stone no filme Instinto Selvagem. Não tinha pra ninguém, não tinha um homem que não a olhasse, que não apreciasse suas curvas e seu generoso decote. Nas noites de sexta ela podia tudo, ela se permitia tudo.

Dessa maneira a femme fatale curtia a balada, a noite toda, fazia tudo que lhe desse vontade, se sentia nesse direito depois de uma semana cheia de compromissos de trabalho, agenda lotada e dia-a-dia intenso. Essa era sua rotina, e ela precisava extravasar na sexta-feira, era esse o seu cano de escape pra não enloquecer e sucumbir.

Mas a manhã do sábado enfim chegou, como sempre chegava, e era hora de voltar pra casa, exausta e feliz, ela se despe da fantasia sensual e encarna novamente o bom e velho uniforme do dia-a-dia, seja ele de mãe, de profissional, de trabalhadora ou de "pessoa normal". Vestido o uniforme ela volta a ter preocupações, angústias, dores de cabeça, sentimentos, compromissos, tudo que a femme fatale não tinha, esta (a Femme Fatale) era só uma excelente aparência que chama a atenção e satisfazia a verdadeira dona de sua vida, mas não é palpável, não é real, é só uma impressão, uma ilusão das sextas-feiras. Não passava de uma fantasia.


[Mente Hiperativa]

Quente e Frio

Quente e Frio

A música que ela me dedicou... Será que tem fundamento ? Rsrsr eu ri muito com isso... Claro que ela tem razão, eu sei disso!



Quente e Frio
( Katy Perry )


Você muda de idéia
Como uma garota troca de roupa
Sim, você tem TPM
Como uma vadia
Eu deveria saber

Você sempre pensa
Sempre Fala
Em códigos

Eu deveria saber
Que você não era bom pra mim

(REFRÃO)
Porque você é quente e logo esfria
Você quer e depois não quer
Você tá dentro e depois tá fora
Você está feliz e depois está triste
Você está errado quando está certo
É preto e é branco
Nós brigamos, nós terminamos
Nós nos beijamos e voltamos

Você, você realmente não quer ficar, não
Você, mas você realmente não quer ir, oh
Você é quente e logo esfria
Você quer e depois não quer
Você tá dentro e depois tá fora
Você está feliz e depois está triste

Nós éramos
Exatamente como gêmeos
Tão em sincronia
Com a mesma energia
Mas a bateria acabou
Costumavamos rir sobre nada
Agora você está entediante

Eu deveria saber
Que você não irá mudar

(REFRÃO)
Porque você é quente e logo esfria
Você quer e depois não quer
Você tá dentro e depois tá fora
Você está feliz e depois está triste
Você está errado quando está certo
É preto e é branco
Nós brigamos, nós terminamos
Nós nos beijamos e voltamos

Você, você realmente não quer ficar, não
Você, mas você realmente não quer ir, oh
Você é quente e logo esfria
Você quer e depois não quer
Você tá dentro e depois tá fora
Você está feliz e depois está triste

Alguém chame um médico
Tenho um caso de amor bipolar
Presa uma montanha russa
da qual eu não consigo descer

Você muda de ideia
Como uma garota muda de roupas

(REFRÃO)
Porque você é quente e logo esfria
Você quer e depois não quer
Você tá dentro e depois tá fora
Você está feliz e depois está triste
Você está errado quando está certo
É preto e é branco
Nós brigamos, nós terminamos
Nós nos beijamos e voltamos

Porque você é quente e logo esfria
Você quer e depois não quer
Você tá dentro e depois tá fora
Você está feliz e depois está triste
Você está errado quando está certo
É preto e é branco
Nós brigamos, nós terminamos
Nós nos beijamos e voltamos

Você, você realmente não quer ficar, não
Você, mas você realmente não quer ir, oh
Você é quente e logo esfria
Você quer e depois não quer
Você tá dentro e depois tá fora
Você está feliz e depois está triste

Nota: Espero não ter o mesmo destino do cara do clipe rsrs

[Mente Hiperativa]

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Eu quero o azul


Eu quero o azul


Eu quero o azul

Quero um pouco de azul na minha vida

O azul dos céus infinitos

Do mar que se perde de vista


Quero o azul da pureza

E da tranquilidade

Enchendo de paz o meu coração

Que sofre!


Quero um amor azul-sereno

Leve e sem-tamanho

Como o céu e o mar

Quero sentir sua leveza

Passando por entre meus dedos

Quero penetrar nesse azul

E concebê-lo como parte de mim


Já dizia Drummond:

'A tarde talvez fosse azul,
Não houvesse tantos desejos'

Mas eu sou feito de desejo

E não consigo me segurar


Quero um pouco de azul na minha vida

Azul-piscina

Pra eu mergulhar de cabeça nas suas águas

Quero um azul-celeste

Pra eu voar com minhas asas de anjo torto


Sim, eu sou gauche

Mas quero sair das sombras

E viver no teu azul

Quero viver do teu azul


Você me permite?


Nota: Fui 'desafiado' a escrever sobre o azul, aí está. Confesso que não foi fácil, só saiu na última hora, mas adoro desafios...

[Mente Hiperativa]

Cazuza

Cazuza

Imagina o sofrimento dele. Você consegue ?

Imagina viver contando as horas.

Agora imagina como são eternas as horas vividas em meio a tanto sofrimento e angústia do fim certeiro e breve.

Será que foi do sofrimento que ele tirou tanta sensibilidade ?

Nota: Cazuza, sou fã!

[Mente Hiperativa]

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Eu sou uma cebola


Eu sou uma cebola

Há algum tempo uma garota muito especial na minha vida me disse:
Você limita suas amizades. Sim, você não percebe ? Você coloca um limite e diz a si mesmo que dali em diante não deixará aquela pessoa passar. Caso a pessoa invada seu espaço você muda de assunto ou então some, foge, sem qualquer explicação. Mas eu respeito seus limites, respeito seu tempo.
Ela tinha razão, era isso mesmo, eu nunca tinha me dado conta, mas quando ela falou aquilo de forma tão clara eu pude perceber que eu faço exatamente isso, eu limito até onde as pessoas podem ir e não permito que elas passem desse determinado ponto.

Talvez seja normal, talvez eu controle demais minhas relações, talvez seja um mecanismo de defesa (e será que estou utilizando ele bem?), o fato é que essa conversa me levou a refletir muitas coisas na minha vida, me esclareceu e me fez evoluir. Agora eu me sinto uma cebola.

Uma cebola? Sim, uma cebola. Uma cebola é composta de muitas camadas sobrepostas e pra se atingir o miolo é preciso vencer todas as camadas, todo os obstáculos. Eu sou assim, me resguardo no miolo, me envolvo de camadas e mais camadas, vou me apresentando aos poucos, à medida que a intimidade me conquista a confiança. Posso sentar com você numa lanchonete e conversar horas sem nem lhe contar nada sobre minha vida pessoal, somente arrodear, expor pontos de vista sobre assuntos aleatórios; ou posso conversar com você diariamente e não contar os meus sofrimentos mais íntimos.

Preciso de tempo e confiança pra me despir de tantas camadas, só depois dessa conversa eu consegui perceber que apesar de ser uma pessoa bastante sociável e comunicativa eu sou muito reservado, e poucos conseguem penetrar nessa área restrita onde ficam meus pensamentos secretos.
Nota: Eu sou uma cebola. Será que as pessoas choram ao me descascar ?

[Mente Hiperativa]

Soberba


Soberba

Falem o que quiserem a meu respeito

Eu estou no topo...

E daqui de cima nem escuto o que vocês dizem

Ouço apenas sussurros de inferioridade

Nota: Tem gente que é assim.

[Mente Hiperativa]

terça-feira, 19 de abril de 2011

Fim dos tempos


Fim dos tempos

Relaxem, não é uma postagem catastrófica, muito menos com o intuito de disseminar o pânico ou as mazelas da sociedade contemporânea.


Ela
me perguntou: "O que você faria se só te restasse esse dia ?"

Todas as loucuras que tenho vontade! (E não são poucas...)

Bem, pra mim 24hs não seriam suficientes pra eu fazer TUDO que quero... Por isso mesmo que já vou me adiantando, é bom fazer logo o que se tem vontade, ao invés de deixar tudo pra o último dia. Fica a dica!

Eu já comecei, já fiz algumas loucuras e espero cometer muito mais, e você ? Vai esperar o anúncio do fim dos tempos pra começar ?

Nota: O fim do meu mundo pode ser qualquer dia, como vou saber ?
Vocês acham mesmo que a dona morte vai mandar um scrap avisando 24hs antes ?

[Mente Hiperativa]

Atração


Atração

A atração é menos estética e mais biológica do que se pensa, é uma questão de pele e de cheiro. É uma questão de olhares dissimulados, repleto de intenções veladas.


[Mente Hiperativa]

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Não vou entrar nessa fôrma

Não vou entrar nessa fôrma

Socoooorro, eles querem me colocar numa fôrma. Eles dizem que eu sou magro, mas magro em relação a quem ? Em relação a que padrão ? Eles dizem que eu PRECISO malhar, que eu PRECISO ficar forte, "de acordo com os padrões" ?

E se eu não quiser ? E se eu quiser ser diferente ? E se eu quiser ser EU ? Magro ? Talvez, depende do ponto de vista. Normal ? Eu acho que sim, pelo menos no físico...

Eles bem que tentam incutir na minha cabeça tal idéia, tentam me padronizar pra que eu faça parte de um exército de musculosos alienados (não que todos sejam). Eles tentam castrar minha individualidade, me privar do senso crítico e modificar minha individualidade. Não, eu não caio nessa, eu não entro nessa fôrma.


[Mente Hiperativa]

Eu quero te incomodar



Eu quero te incomodar

Texto brilhantemente escrito por Alicia Roncero, no blog Falando com Ela

Quero ser um ponto de interrogação. O seu eterno enigma. Quero ser a sua incansável pergunta. Quero que você às vezes se irrite comigo, às vezes se conforme com a minha chatice e às vezes se canse de mim. Sim, eu quero te incomodar.

Quero que de vez em quando, você tenha vontade de me matar. Quero que, de vez em quando, você tenha vontade de me deixar. E quero mais. Quero que você tenha coragem para isso. Que você seja homem o suficiente para ir embora.

Mas acima de tudo, quero que todos os dias, você escolha não me matar. Que você não me enforque, simplesmente, porque sentiria a minha falta. Que você não me jogue pra fora do carro porque me ama, e não porque as portas estão travadas. Quero que você me queira, todos os dias.

Quero que você durma na cama comigo porque gosta do meu cheiro, e não porque a cama é mais confortável que o sofá. Quero que você escolha fazer as suas refeições comigo porque gosta da minha companhia. Que você me abrace porque faz frio dentro, e não fora de você.

Quero, ainda, que você tente me satisfazer. Mas eu o advirto: você não irá conseguir. E não quero que você se frustre comigo ou consigo mesmo por causa disso. Simplesmente porque o meu desejo se metamorfoseia de forma acelerada. Eu não consigo acompanhar os meus impulsos. Logo, não espero que você consiga me satisfazer plenamente, eu não almejo que você me faça completamente feliz. Eu não preciso achar que sou a mulher mais feliz do mundo todo o tempo. Se quer saber, isso me sufocaria. Eu preciso ser infeliz de vez em quando, pra poder ser feliz de novo. A minha vida tem que ser insossa de vez em quando, para você poder temperá-la novamente. Felicidade o tempo todo se chama tédio. E nem de longe é isso o que eu quero. Nem pra mim e nem pra ti.

Não me compreenda, por favor. Não me entenda, pelamordedeus. Reserva-me o lugar de enigma na sua vida. Se te esforçares demais para me compreender, chegará à exaustão. Não quero que se canse.

E, por outro lado, eu te peço: não desista de mim. Suporta-me como incompreensível. Eu quero ser o seu ponto de interrogação, o seu amado e encantador ponto de interrogação. Mas se me lança olhares opacos, eu murcho. E a interrogação vira uma vírgula, chata e sem-graça. Permita-me que eu me sustente em um belo e curvelíneo ponto de interrogação.

Diante disso, eu lhe peço: Não decifra-me, ou te devoro.
Nota: Me identifiquei bastante com o texto; é bom mexer com as pessoas, provocar o melhor e o seu pior de cada um. É bom ser o enigma de alguém. "Eu não consigo acompanhar os meus impulsos. Logo, não espero que você consiga me satisfazer plenamente." Eu te compreendo, também não consigo. E acima de tudo, entendi o porque de eu não conseguir ser plenamente feliz o tempo todo. O tédio. Odeio o tédio, a mesmice, a rotina... Talvez por isso que eu oscile entre a alegria e a tristeza, deve ser pra me reinventar, pra eu poder me (re)temperar.

[Mente Hiperativa]

domingo, 17 de abril de 2011

Amor bipolar



Amor bipolar

me beija

me larga

me liga

me esquece

me erra

me acerta

me procura

me deixa

me marca

me AMA

Nota: Assim é amar um Bipolar...

[Mente Hiperativa]

O castigo de Prometeu

O castigo de Prometeu

Trecho retirado do livro "O livro de ouro da mitologia - Histórias de deuses e heróis", do Thomas Bulfinch.
Prometeu desobedeceu a vontade de Júpiter e tornou-se ele próprio alvo da ira do rei dos deuses e dos homens. Júpiter mandou acorrentá-lo no rochedo do Cáucaso, onde um abutre lhe arrancaria o fígado, que se renovaria à medida em que era devorado. Essa tortura poderia terminar a qualquer momento, se Prometeu se resignasse a submeter-se ao seu opressor Revelando o segredo que guardava e ameaçava o trono de Jove (Júpiter). Não se rebaixou a fazê-lo, porém. Tornou-se, assim, símbolo da abnegada resistência a um sofrimento imerecido e da força de vontade de resistir à opressão.
Nota: Acho essa história Fantástica!

[Mente Hiperativa]

sábado, 16 de abril de 2011

Bacalhau tem cabeça!

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Bacalhau tem cabeça!

Naquele dia ela foi à feira. E viu o que a maioria das pessoas nunca viu, a cabeça de um bacalhau. Bacalhau tem cabeça, ela descobriu naquele dia. Bacalhau era bicho, era carne. E ela que sempre se orgulhava de dizer que não comia carne, "só peixe". E peixe não é carne? E peixe dá em árvore? Ela nunca tinha pensado nessas coisas, mas agora se enxergava uma carnívora, devoradora de pobre animais inocentes. Bacalhau tem cabeça, também deve ter coração. Ela viu, naquele dia, o que a maioria das pessoas nunca viu.


[Mente Hiperativa]

Insônia


Insônia

Texto escrito por Tereza Cristina, extraído do livro Vidas escondidas.

Sono.
Falta de sono.
Perda de sono.
Começa o cooper
pela casa.
O eco da vida
Soa aos meus ouvidos.
As horas não passam
O dia não clareia
Isso se chama eternidade.
Pergunto-me como
não ter medo da insônia ?
Se ela me assusta, assusta qualquer indivíduo
afinal ela me consome
Tomo um gole de café
Dou um trago no cigarro
E desmaio de cansaço

Nota: Depois posto mais poemas dela, todos versam sobre a bipolaridade e seus diversos aspectos.

[Mente Hiperativa]

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Como dizer a um paciente que "Não há mais o que fazer" ?


Como dizer a um paciente que "Não há mais o que fazer" ?

Essa é a dúvida que todo estudante de medicina tem, e talvez muitos médicos ainda tenham.

Outro dia reencontrei um amigo que não via há muito tempo, conversamos sobre vários assuntos e de repente ele me diz que o seu pai morrera há dois dias. À princípio estranhei a sua apatia diante de tal notícia, ele não parecia tão abalado quanto alguém que perde o pai. Então ele me explicou que o médico havia dito À FAMÍLIA que ele estava com um câncer de pâncreas (um dos piores) em estágio avançado, de forma que não havia tratamento satisfatório que pudesse salvá-lo. O médico deu-lhe dois meses de vida, que de certa forma "preparou" a família pra tamanha perda. O seu pai, embora não soubesse do tal prazo de vida, suspeitava que estava morrendo, à cada dia sentia-se mais fraco, até o dia em que dormiu e não acordou mais. A morte acabou sendo o alívio pra um intenso sofrimento.

Alguns dias depois numa aula de saúde da mulher o 'médico-professor' levou um grupo de estudantes à enfermaria de ginecologia onde estavam internadas algumas mulheres com os mais diversos tipos de enfermidade. De repente nós entramos num dos quartos e ele nos fala na frente da paciente:
"Essa paciente tem um câncer que vai do púbis ao apêndice xifóide, portanto enorme. Não há mais nada o que fazer com ela, então mandaremos ela pra casa amanhã. Ela já sabe da sua situação."
Sua situação significa que ela vai pra casa morrer; o médico dizia aquilo com tanta naturalidade, falava como se a paciente nem estivesse ali no ambiente, ou como se ela fosse ir pra casa e viver mais 40 anos. E não era o caso, ela estava com os dias contados. Eu até entendo que realmente ele não podia tratá-la ou curá-la, mas soa estranho falar da morte assim como se fosse uma gripe. Ou será que essa é a melhor forma de encará-la, como uma coisa natural ? Eu não sabia nem como agir naquela hora diante da paciente, se com pena ou compaixão, se dizia algo ou se ficava calado.

E quando for a minha vez de dar tal veredicto ? Quando chegar um paciente no meu consultório com um diagnóstico sem tratamento, à espera da morte, como eu vou dizer isso a ele ? Como dizer que alguém que ele está Literalmente com os dias contados ?
Nota: Uma vez meu colega Otávio, futuro geriatra, perguntou a mim se eu conhecia algum livro que ensinasse como comunicar tal notícia ao paciente. E eu lhe respondi "não conheço, acho que não tem, porque você não escreve um pra ajudar os futuros estudantes e profissionais ?". Poisé Otávio, estamos aguardando ansiosos.

[Mente Hiperativa]

Beija sapo


Beija sapo

E ela beijou o sapo, beijou, noivou e casou com ele na esperança de que o mesmo se torna-se um belo e gentil príncipe. Tadinha... Sapos não viram príncipes, exceto nas fábulas encantadas, e isso aqui é vida real, não tem nada de encantado.
Nota: Mesmo assim ainda tem mulher que espera 'o homem perfeito', príncipe encantado num cavalo branco...

[Mente Hiperativa]

quinta-feira, 14 de abril de 2011

O cemitério dos beija-flores


O cemitério dos beija-flores

Toda tarde quando sua mãe ia cochilar após o almoço aquela dócil garota saía pelo quintal de casa atrás de beija-flores. Ela sempre atravessava o terreno em direção à mata até chegar numa enorme área verde, cheia de árvores e pequenos animais. Num determinado trecho havia uma pequena clareira, no chão pequenas placas quadradas confeccionadas pela garotinha, cada uma tinha um nome dado por ela aos passarinhos ali enterrados. Os nomes não eram aleatórios, e eram atribuídos minutos antes do enterro.

Ela tinha um ritual, às vezes saía com seu estilingue e dava um tiro certeiro num beija-flor, sem dó. Depois levava-o até a clareira e enrolava-o num papel com seu novo nome, enterrando-o ainda agonizante. Terminado o procedimento ela sentava à beira dos mini-túmulos de beija-flor e contemplava-os com certa melancolia, curtia o luto de sua morte. Muitas vezes levava flores, conversava com os passarinhos mortos, chorava lágrimas secas e silenciosas. Não parecia se arrepender do que fazia, ao contrário, aparentava certo alívio e convicção de que aquilo era justificável. E depois voltava pra casa, sorridente como qualquer outra criança de sua idade, disfarçando seu sadismo por detrás de um olhar dissimulado.

Sua mãe não sabia do seu ritual, nem do seu cemitério de beija-flores, era algo que só pertencia a ela e poucos amigos tiveram a chance de conhecê-lo, ainda assim só o viram uma única vez. Um dia ela resolveu levar uma amiguinha da escola pra conhecer seu cantinho. A amiga, chamada Lorena, estava entusiasmada em conhecer "a mata" de que tanto ouvira falar, mas não sabia ainda ao certo o que a aguardava. A amiga adorou conhecer aquele lugar cheio de verde e quando chegaram na clareira a menina anunciou a ela que apresentaria o seu famoso cantinho, "o cemitério dos beija-flores".

Lorena achou que fosse brincadeira, mas quando viu a menina acertar um beija-flor e pegá-lo na mão ainda ensanguentado ela ficou um pouco nervosa. A menina então disse que não gostaria de machucá-los, mas precisava fazer esse sacrifício para tê-los eternamente pra si. Ela disse que se tratava de um impulso incontrolável e perguntou a Lorena se seria um pecado Matar passarinhos. Lorena estava intimidada pela situação e por isso não quis discordar da menina, julgou que não deveria ser nada muito grave matar aquele ser.

A menina concordou com Lorena, a morte não poderia ser algo tão grave diante de uma motivação tão nobre -pelo menos no seu ponto de vista- que era tê-los eternamente pra si, cativos. Depois disso ela olhou fixamente nos olhos da amiga e disse que fazia o mesmo com as pessoas que amava, os beija-flores apenas serviam de representação de tais pessoas. Disse ainda que enterrava cada pássaro com o nome da pessoa que representavam, em seguida mostrou-lhe uma placa com o seguinte nome: LORENA.

Não se sabe se era uma brincadeira de mal gosto pra assustar Lorena ou se a menina falava sério, o fato é que Lorena sumiu da cidade naquele mesmo dia, no colégio ninguém mais a viu, na sua casa todos choram e rezam querendo tê-la de volta, eternamente. Ninguém sabia o que estava havendo, crianças sumiam de repente. E enquanto isso a menina continuava seu ritual, todas as tarde ia ao cemitério dos beija-flores "curtir" o luto e compartilhar seus momentos com aqueles eternamente cativos.

NOTA: A história é mórbida, eu sei, ela 'veio' depois que eu assisti a uma cena do filme "O pecado de hadewijch" em que uma moça pega na mão um beija-flor. Aí pronto, veio isso tudo. Claro que eu baixei o filme pra saber como o danado do passarinho foi parar na mão dela (aposto que não tem nada a ver com minha história) mas nem assisti ainda.

[Mente Hiperativa]

Sebo


Sebo

Conto do livro que estou lendo "As mentiras que os homens contam", de Luís Fernando Veríssimo.


O homem disse o próprio nome e ficou me olhando atentamente. Como alguém que tivesse atirado uma moeda num poço e esperasse o "plim" no fundo. Repeti o nome algumas vezes e finalmente me lembrei. Plim. Mas claro.
- Comprei um livro seu não faz muito.
Ele sorriu, mas apenas com a boca. Perguntou se podia entrar. Pedi para ele esperar até que eu desengatasse as sete trancas da porta.
- Você compreende - expliquei -, com essa onda de assassinatos...
Ele compreendia. Estranhos assassinatos. Todas as vítimas eram intelectuais. Ou pelo menos tinham livros em casa. Dezesseis vítimas até então. Se soubesse que seria a décima sétima eu não teria me apressado tanto com as correntes.
- Você leu meu livro? - ele perguntou.
- Li!
Essa terrível necessidade de não magoar os outros. Principalmente os autores novos.
- Não leu - disse ele.
- Li. Li!
Essa obscena compulsão de ser amado.
- Leu todo?
- Todo.
Ele ainda me olhava, desconfiado. Elaborei:
- Aliás, peguei e não larguei mais até chegar ao fim.
Ele ficou em silêncio. Elaborei mais:
- Depois li de novo.
Ele nada. Exclamei:
- Uma beleza!
- Onde é que ele está?
Meu Deus, ele queria a prova. Fiz um gesto vago na direção da estante. Felizmente, nunca botei um livro fora na minha vida. Ainda tenho - ainda tinha - o meu Livro do bebê. Com a impressão do meu pé recém-nascido, pobre de mim. Venero livros. Tenho pilhas e pilhas de livros. Gosto do cheiro de livros novos e antigos. Passo dias dentro de livrarias. Gosto de manusear livros, de sentir a textura do papel com os dedos, de sentir seu volume na mão. Me ocupo tanto de livros e quase não me sobra tempo para a leitura.

Ele encontrou seu livro. Nós dois suspiramos, aliviados. Como é fácil fazer a alegria dos outros, pensei. Com uma pequena mentira eu talvez tivesse dado o empurrão definitivo numa vocação literária que, de outra forma, se frustraria. Num transbordamento de caridade, declarei:
- Que livro! Puxa!
Mas ele não me ouviu. Apertava o livro entre as mãos. Disse:
- O último. Finalmente.
- O quê?
Ele começou a avançar na minha direção. Contou que a tiragem do livro tinha sido pequena. Quinhentos exemplares. Sua mãe comprara 30 e morrera antes de distribuir aos parentes. Ele tinha ficado com 453. Dezessete cópias tinham acabado num sebo que, através dos anos, vendera todos. Ele seguira a pista de 16 dos 17 compradores e os estrangulara. Faltava o décimo sétimo.
- Por quê? - gritei. E acrescentei, anacronicamente: - Homem de Deus?
No livro tinha um cacófato horrível. Ele não podia suportar a idéia de descobrirem seu cacófato.
- Eu não notei! Eu não notei! - protestei.
Não adiantou. Ninguém que tivesse lido o livro podia continuar vivo. Ele queria deixar o mundo tão inédito quanto nascera.
- Mas essas coisas não têm import... - comecei a dizer.
Mas ele me pegou e me estrangulou. Bem feito! Para eu aprender a não ser bem-educado. Meu consolo é que depois ele descobriria que as páginas do livro não tinham sido abertas e o remorso envenenaria suas noites.
Enfim.
É o que dá freqüentar sebos.

Nota:
1º-
Cuidado com o que lê.
2º- Cuidado quando abrir a porta de casa pra um estranho.
3º- Cuidado ao mentir, às vezes o melhor é falar a verdade, doa a quem doer.
4º-
Cuidado pra não cometer um cacófato. Inclusive vou verificar se há alguma cacofonia no MH,e se houver já sabem, receberão uma "visitinha" minha na casa de vocês...

[Mente Hiperativa]

quarta-feira, 13 de abril de 2011

AutismoS


AutismoS

Tenho pesquisado bastante sobre o autismo, nos últimos três meses li três livros (Autismo uma abordagem prática – José Marcelino Bandim, Autismo e morte – Letícia Amorim, e A criança autista – Janine Marta Coelho Rodrigues e Eric Spencer) antes disso já havia lido o livro Mãe, me ensina a conversar – Dalva Tabachi , e outros tantos sites e artigos da internet que me renderam algumas postagens no Mente Hiperativa.

Além do puro gosto e curiosidade em querer saber mais sobre o assunto, tenho também uma motivação pessoal, mas não vem ao caso agora. O quero destacar nesse post também não são os sintomas ou características do autismo, mas sim a existência de diversas formas de manifestação desse transtorno.

À princípio só recebia o diagnóstico de autismo os casos clássicos que preenchiam todos os critérios para o transtorno, porém com o tempo se percebeu que algumas crianças fugiam um pouco do padrão estabelecido, seriam elas autistas ou não ?

Algumas pessoas dizem que o Autismo (assim como a depressão, o transtorno bipolar e outras manifestações psiquiátricas) foi banalizado nos dias atuais, eu discordo, acredito que antigamente não se dispunha de feramentas tão boas para investigação quanto temos hoje, de divulgação, de abrangência e tratamento adequado; além disso quantas pessoas sofriam naquele tempo sem serem diagnosticadas ou tratadas adequadamente, ou então eram largadas em hospícios e entregues à condições sub-humanas ?

Mas voltando à questão das variantes do autismo, hoje se sabe que há outros transtornos bastante semelhantes ao autismo que diferenciam em alguns pontos da manifestação clássica, e que por isso podem ser facilmente confundidos caso não aja uma investigação profunda. Dessa forma se convencionou agrupar esses diversos quadros semelhantes entre si -mas que constituem diagnósticos distintos- e então criou-se a denominação “Transtornos Invasivos do Desenvolvimento (TID)”, que hoje está sendo substituída por "Espectro autístico".

Compõem o Espectro Autístico: o Autismo propriamente dito (com ou sem retardo mental), a Síndrome de Rett, a Síndrome de Asperger, o Transtorno desintegrativo da infância e Transtorno global do desenvolvimento sem outra especificação. Dentro do próprio autismo podemos encontrar diversas manifestações distintas, como por exemplo o Autismo de auto-funcionamento, no qual o indivíduo consegue um desempenho na normal ou acima da média em uma determinada área do conhecimento; o Autismo com ausência de comunicação verbal, com grande habilidade visual em desenhos; o Autismo com sério comprometimento na sociabilidade, com fala funcional e inteligência normal; o Autismo associado à deficiência mental; o Autismo associado à síndrome do X frágil.

Como podemos constatar, a denominação Autismo deveria ser na verdade AutismoS devido às inúmeras formas de manifestação que ele pode apresentar. Além disso também fica bastante evidente que o Autismo não implica necessariamente naquele rótulo criado pela sociedade, de uma criança pobre de imaginação, encolhida num canto, fria e insensível. Os autistas não são assim, a sociedade é que veicula essa imagem que acaba levando os pais e familiares de autistas a não assumirem a condição de suas crianças, não por terem vergonha, mas pra que não se crie um estigma pra aquela criança carregar o resto da vida. Essa é a realidade, INfelizmente quando dizemos que uma criança é autista em geral as pessoas imaginam ela como sendo “múmia demente e inoperante”, o que ABSOLUTAMENTE não é verdade.

É claro e evidente que o autista tem algumas dificuldades, sobretudo no campo da sociabilização, mas muitos deles são inteligentes, falam e até interagem com pessoas mais próximas a ele; é um erro julgá-los como incapazes ou impotentes. Além disso a maioria que recebe tratamento desde cedo pode conquistar sua autonomia, trabalhar, enfim, viver sua própria vida dentro de suas limitações.
Negrito NOTA: Para que seja constatado o diagnóstico de Autismo além de outras coisas é preciso fazer o diagnóstico diferencial, ou seja, afastar alguns quadros que podem ser confundidos inicialmente como Autismo mas que não tem nenhuma ligação com o mesmo, são eles: a deficiência mental, os transtornos da linguagem, o transtorno de personalidade esquizoide, a síndrome semântico-pragmática, a demência de Heller, a surdez, os distúrbios de desenvolvimento da linguagem, e o retardo mental.
[Mente Hiperativa]

Entre flores e espetinhos


Entre flores e espetinhos

Ela disse que tudo que enxergamos são reflexos dos nossos próprios sentimentos. Ainda disse mais:
"Reside em nós a capacidade de transformar a vida em flores ou espinhos. A escolha é sua. A escolha é livre!"
Eu vivio a vida entre flores e espetinhos, vejo espinhos, mas fecho os olhos pra tentar fugir deles e sigo a caminhada no escuro. Apesar de não vê-los eu sei que estão ali me machucando, posso sentir as espetadas na planta do meu pé... Mas de olhos fechados eu imagino as flores, e sigo pelos caminhos dolorosos que me perseguem.

Às vezes eu abro os olhos na esperança de que os espinhos tenham sumido e que toda dor não passe de uma invenção da minha cabeça, mas sempre constato que eles persistem lá, fincados nos meus pés. Então novamente fecho os olhos, imagino as flores, e sigo adiante nesse eterno ciclo bipolar.

[Mente Hiperativa]

Está escrito! Está mesmo ?


Está escrito! Está mesmo ?

Não adianta, nada adianta, porque está tudo escrito nas estrelas, o destino já está pronto. É o que dizem por aí... Estava escrito que eu ia postar esse texto. E que você ia ler. E pra quem não leu, estava escrito também que não iam ler. E se eu hesitei em postar, estava escrito que eu hesitaria. Se você pensou em não ler, mas agora está lendo, é porque estava escrito essa reviravolta.

Está tudo escrito!

Então me pergunto, se está tudo pronto, escrito, de que adianta meu esforço ? Por acaso é alguma peça de teatro ? Não me lembro de ter recebido o script...

Nota: Não acredito em Destino, puro e simples.


[Mente Hiperativa]

terça-feira, 12 de abril de 2011

O normal é estatístico


O normal é estatístico

"O normal é estatístico", essa foi a frase que mais me chamou atenção no "O que é normal em sexualidade ?".

Então, partindo do pressuposto de que o normal seja mesmo estatístico então ele pode mudar com o tempo, mudam as práticas, muda a mentalidade, muda o conceito do que é normal ou não.
Pare e pense quantas coisas já foram consideradas anormais pela sociedade e hoje se aceita com muita naturalidade. Pense em quantas coisas VOCÊ achava anormal e hoje VOCÊ considera natural.
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Outra questão que o artigo colocou e eu gostei muito foi a diferenciação entre o 'não-normal' (ao invés da expressão depreciativa 'anormal') e o doentio, se você analisar com atenção perceberá que são conceitos distinos; algum hábito ou costume pode não ser normal (praticado por uma minoria) e ainda assim não ser doentio, pra ser doentio tal costume precisaria causar sofrimento ou quaquer outro dano à pessoa que o pratica. Sendo assim o não-normal, o incomum, não necessariamente deve ser encarado como uma doença.

Toda essa conceituação surgiu da seguinte pergunta bastante ouvida em consultórios psiquiátricos:

"Doutor, o que é normal em sexualidade?"

Talvez você nunca tenha ido a um psiquiatra e perguntado isso, mas com certeza já perguntou a si mesmo e talvez até já tenha questionado sua normalidade diante de algum costume sexual. No mundo em que vivemos a sociedade coloca o sexo como algo proibido, sigiloso, indecoroso, e por vezes até sujo, por isso não é raro nos questionarmos sobre nossa conduta sexual, se fazer isso ou aquilo é certo ou errado, se é normal, se é saudável; não é raro o adolescente se punir diante da masturbação, ou a mulher se reprimir diante da multiplicidade de parceiros sexuais. Isso é normal, é comum.

O mundo é repleto de tabus, o que se faz no sexo é pouco discutido e nos leva a pensar que somente nós conduzimos determinados comportamentos sexuais, que o resto da sociedade não pratica tais ações, ao contrário, nos condena por isso. Diante dessa Falsa constatação nós nos sentimos sujos, doentes, anormais ou qualquer outra coisa do gênero. Isso é que leva as pessoas a sofrerem, a acharem que são anormais.

Certamente as pessoas que mantém práticas sexuais pouco comuns (ou pouco discutidas) em algum momento colocam em xeque a sua normalidade. Por exemplo, seria normal um casal de idosos manter uma atividade sexual ? Não é normal (leia-se: não é estatisticamente predominante), mas não pode ser considerado doentio ou bizarro como muita gente ainda pensa. Sexo não tem idade.
Quantas relações sexuais por mês é o normal ? Existe uma média considerada 'normal' que varia de acordo com a faixa etária, mas os que desviam dessa média -seja pra mais ou pra menos- não são doentes por conta disso afinal cada um tem sua necessidade e prazer sexual distinto. Caso aja sofrimento pelo desejo sexual em excesso ou em escassez aí sim é caso de se procurar ajuda.
A compulsão sexual é uma doença ? Primeiro temos que estabelecer o conceito de compulsão, se é o ato de praticar sexo ou simplesmente pensar nele o dia todo, depois é preciso se perguntar se tal comportamento atrapalha as atividades diárias do indivíduo. Caso não atrapalhe qual seria o problema nisso ?

Como se vê são muitas as questões envolvendo o conceito de normalidade no sexo que -como eu havia dito no começo da postagem- podem mudam de acordo com o tempo, de acordo com a evolução da mentalidade, de acordo com o aumento do debate de tais comportamentos na sociedade.


SEGUNDO O ARTIGO QUE LI (http://virtualpsy.locaweb.com.br/index.php?art=81&sec=23)
" A aspiração sexual estatisticamente normal deveria envolver, na seguinte ordem decrescente:

Indivíduos Humanos (contrário ao bestialismo)
Indivíduos vivos (contrário à necrofilia)
Pessoas livremente concordantes (contrário ao assédio)
Pessoas livremente receptivas (contrário à violentação)
Pessoas de faixa etária relativamente compatível (contrário à pedofilia)
Parentes de grau próximo e de primeiro grau (contrário ao incesto)
Locais adequados e em circunstâncias propícias (contrário ao exibicionismo)
Pessoas disponíveis civilmente (contrário ao adultério)
Outra pessoa (contrário à auto-satisfação)
Pessoas do sexo oposto (contrário ao homossexualismo) "
Alguns comportamentos acima são considerados doença pela maioria das pessoas (é quase unânime que a necrofilia seja anormal -no sentido pejorativo da palavra); enquanto outros já foram descritos na literatura médica como doença psiquiátrica e hoje em dia são encarados como uma opção ou uma orientação sexual, como o homossexualismo; alguns são crimes, como o assédio e a pedofilia; outros são fetiches ou desvios sexuais, como o exibicionismo; tudo depende da frequência estatística com que ocorrem, isso dirá se são normais ou não-normais, mas não dirá se são doentios. Só será doentio o que causar sofrimento e/ou morbidez ao praticante ou à outra parte envolvida.

Diante disso tudo fica a seguinte pergunta em nossas mentes:

EU SOU SEXUALMENTE NORMAL ?


[Mente Hiperativa]