sexta-feira, 10 de junho de 2011

Julia é uma gênia


Julia é uma gênia

Júlia é uma máquina, de estudar. Desde muito cedo seu lazer sempre foi ler, ler, ler e ler, ela passava o recreio inteiro na biblioteca da escola. Na família foi a primeira a ser alfabetizada. Na adolescência não perdia tempo namorando, estudava e se preparava pra entrar na faculdade, e não deu outra, passou de primeira, em primeiro lugar. Já não era mais novidade ela ser o destaque no que fazia. Júlia fala 4 línguas estrangeiras, Francês, Alemão, Italiano e Mandarim, é tricampeã nacional de xadrez, já devorou os clássicos da literatura Brasileira e agora se encaminha aos clássicos mundiais. Ela dominava o latim, cálculo, astronomia, neurociências, história e cultura geral.

Júlia só estudava, todo dia, o dia todo, não tinha amigos, nem namorado, muito menos filhos, optou por não tê-los pois segundo ela "atrapalhariam sua vida profissional", por isso também não saía pra balada, nem cinema ou praia. Mas Júlia sempre foi o orgulho da família, também da escola, da faculdade, do curso de alemão, de mandarim e etc... E por isso sentia a necessidade de se esforçar sobre-humanamente pra se manter no alto do seu pódio imaginário, recebendo a admiração de todos lé de baixo.

Júlia é uma gênia, sem sombra de dúvida, mas será que era feliz assim? Será que todo o destaque que tinha lhe trazia a felicidade? Ou só inflava seu ego insaciável? No recôndito do seu quarto escuro e frio só ela sabia o vazio que carregava no peito. Apesar de todo o prestígio e dos constantes elogios que recebia devido ao seu excepcional desempenho, ela não era feliz. Ninguém lhe questionava acerca da sua felicidade e realização PESSOAL, só perguntavam suas notas, suas medalhas, seu currículo, seus títulos, seu pós-doutorado... Todos a tinham como modelo, exemplo a ser seguido, padrão inatingível de conduta.

Júlia não era uma máquina quando nasceu, mas moldou-se com o tempo, aprendeu errôneamente que deveria ser assim. Ela bem que queria ser uma pessoa 'normal', que ouve broncas dos pais, que erra, que peca, que faz besteira e perde a linha de vez em quando. Ela bem que queria, mas acabava sempre se escondendo atrás dos livros, esse era o único abrigo seguro que conhecia, aprendeu a amar seu prórpio algoz, alimentando-o todo dia e fazendo-o crescer sem parar; tornou-se uma cobra que morde o próprio rabo, e assim jamais consegue encontrar uma saída para o seu dilema.

Júlia é uma gênia, não há dúvida, mas quem disse que é feliz?

Não faz diferença, ninguém parecia se importar com isso mesmo... Nem ela própria.


[Mente Hiperativa]

4 comentários:

  1. Eis a questão: é feliz ou não? (rimou rsrsrs

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Eu no lugar dela, não seria, aah o que seria de mim, se tivesse apenas títulos, diplomas, elogios, de a garota gênio ? E o que faria sem ter que contar o que vive na vida sentimental, nas minhas aventuras, de tudo que uma pessoa normal faz diariamente, ter amigos, jogar papo fora? É tenho um desejo que ela teve e concluiu, mas estou em busca dele, sem deixar de viver minha vida normalmente 'a minha tradição'

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