segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Psicologia


Psicologia

Há sempre dois caminhos:

Ou você encara de frente os seus problemas
E sofre,
E aprende,
E amadurece

Ou cria mecanismos para driblar os desafios
E foge,
E pára,
E não cresce

A vida é sinônimo de sofrer
E se for pra sofrer
Que sofra pra aprender
E evoluir
E não repetir
Os mesmos erros

Não crie mecanismos


[Mente Hiperativa]

domingo, 6 de novembro de 2011

Inércia


Inércia

Café sem cafeína
Cerveja sem álcool
Casamento sem amor
Filhos sem cumplicidade
Natal sem Cristianismo
Presente sem afeto
Dinheiro sem boa-causa

Vivemos por inércia
Sem acreditar nas coisas
Mantendo apenas a tradição
Criamos algumas fantasias
E dissociamos da realidade
Traimos nossas convicções
Em nome da comodidade

[Mente Hiperativa]

sábado, 5 de novembro de 2011

Como tudo começou


Como tudo começou

Os olhos se olharam
Tristonhos
Sorriram
E piscaram
Se abraçaram

Os braços correram
Os corpos
Se cruzaram
Se encontraram
Cansados

As bocas molhadas
Falavam
E beijavam
Comiam
E grunhiam

Os corpos sedentos
Se amavam
Se entregavam
Suados
Sofridos

[Mente Hiperativa]

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Já se foi o tempo das Amélias


Já se foi o tempo das Amélias

Já se foi o tempo das Amélias...

Que Cuidavam com zelo da casa e da família
Levavam o marido embora até a porta
E se arrumavam pra ficar bonitas só pra ele

Já se foi o tempo das Amélias...

Que esperavam o marido chegar do trabalho
Abriam o portão para ele entrar com o carro
E lhe serviam uma comida quentinha à mesa

Já se foi o tempo das Amélias...

Que educavam tão bem os próprios filhos
Acompanhando-os todos os dias, o dia todo
Sem precisar de babá ou psicóloga

Já se foi o tempo das Amélias...

Que não precisavam usar microondas
Nem comida pré-pronta ou disk-entrega
A comida era caseira, temperada com amor

Já se foi o tempo das Amélias...

Que tinham tempo para seu marido e filhos
Não usavam mil cremes, entretanto eram lindas
O amor era verdadeiro e superava tudo

Sorte teve o meu avô!

Nota: Quem me conhece e/ou me segue aqui no MH sabe que não sou chauvinista, o tom que quis dar ao texto foi de nostalgia e jamais de machismo. Espero que eu tenha conseguido passar a impressão correta, e caso isso não tenha acontecido espero que me entendam.

[Mente Hiperativa]

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Casual



Casual

Foi um lance de pele
De carne e de osso
Dominado pela lascívia
Corpo e corpo

Foi uma pegada
Um forte desejo
Atração incontrolável
Coito e coito

Tinha visgo
Tinha suor
Salgado
Molhado

Sede
Tinha libido
Tinha hormônio
Efêmero
Intenso

Hálito


[Mente Hiperativa]

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A loucura (nossa) de cada um


A loucura (nossa) de cada um

Estava cercado de loucos que babavam e batiam a cabeça na parede. Ao seu lado um senhor repetia a escalação da seleção Brasileira de 70, "Carlos Alberto, Tostão, Pelé, Gérson, Rivelino"... Uma mulher contava os dedos repetidas vezes, sem parar, como se conferisse se 'ainda' estavam todos ali. Alguns imitavam animais, outros conversavam sozinhos ou ouviam vozes, todos loucos. E ele ali no meio, fazendo parte do cenário.

Depois de poucos minutos começou a se questionar o que fazia naquele lugar, afinal não era como aquelas pessoas, chegou a pensar em ir embora e largar aquela idéia -agora sem sentido- de ir ao médico. Ele não era louco como aqueles que estavam ali, talvez dono de uma outra loucura, uma loucura light, uma semi-loucura, uma loucura elitizada, refinada, contida...

Era bastante difícil acreditar que fosse tão louco quanto aqueles... Sua loucura era diariamente menosprezada por si mesmo, ele a renegava diante do menor sinal de lucidez e 'normalidade', vivia em busca de provas para atestar a si mesmo a própria sanidade, mas nem isso conseguia. É verdade que não babava e nem batia a cabeça na parede, muito menos sabia a seleção de 70 pra poder ficar a repeti-la. Mas isso não o tornava menos louco do que os demais naquela sala apertada. Talvez ele fosse o pior dos loucos, o que passa a vida lutando pra parecer normal, o louco SUBestimado.

É fácil ser louco sem ter que se segurar numa camisa de força, poder colocar pra fora toda a sua loucura, sem pudor, sem estresse, sem medo. O louco que mais sofre certamente é o louco que não tem essa liberdade, seja porque a sociedade o impede ou porque ele mesmo tenta não sucumbir à própria loucura, contendo-se. O pior louco talvez seja o que reluta em aceitar sua condição, o que sofre calado sem buscar ajuda.

Após uma breve relexão ele se levantou da sala de espera e foi embora do consultório médico. Andou na areia da praia, sentiu o vento tocar-lhe o rosto, sentiu-se tão normal, tão saudável e equilibrado que hesitou em remarcar a consulta perdida pouco antes no psiquiatra. Afinal, ele era normal, não precisava disso, não era como 'aqueles' lá.

E seguiu a vida, até a próxima crise. Até ser obrigado a encarar sua loucura novamente. E voltar àquele lugar repleto de loucos.

[Mente Hiperativa]

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Bodas de prata

Bodas de prata

O casamento se arrastava como se arrastam as cobras pelo deserto, mas ainda as cobras deviam ser mais felizes numa relação do que aquele pobre homem em seu casamento. Era duro chegar em casa cansado depois de um dia de trabalho e se deparar com o desprezo em forma de gente, sentado na poltrona da sala. Era difícil ouvir seu próprio 'boa noite' ecoar pelo ambiente, batendo na parede e voltando pra sua cara como um amargo tapa de realidade. O silêncio lhe incomodava, era ensurdecedor, e o distanciamento entre eles era frio e cruel.

Não foi do dia pra noite que o seu amor naufragou, mas apenas agora seus olhos percebiam o tamanho do desastre e pensavam, esperançosos, se ainda havia jeito de resgatar aquele sentimento que os unira há tantos anos. Apenas depois que o filho casou e saiu de casa foi que ele se deu conta do imenso vazio que habitava sua sua vida, especificamente do abismo que o separava da esposa. Talvez não tenha percebido antes porque ela era também mãe, além de esposa. E agora era o quê?

Cansado do eterno clima fúnebre que tomava conta de sua casa e vida, resolveu tomar uma atitude, chamou a esposa para um jantar romântico num restaurante fino recém-inaugurado na cidade. Diante do convite ela manifestou surpresa e encanto num só rosto, e ele se animou com isso, afinal ela parecia ter gostado da idéia. O jantar foi agradável, a companhia foi interessante, lembrava um pouco a moça que conhecera alguns anos atrás e levara ao altar, jurando amá-la na pobreza e na riqueza, na saúde e na doença... E ambos permaneciam ricos e saudáveis, diga-se de passagem.

Depois do jantar foram para um motel, tomaram alguns drinks para esquecer a crise, numa tentativa desesperada de libertar os desejos que outrora eram tão espontâneos, no tempo de recém-casados, e que hoje deviam estar confinados em algum lugar da mente onde se guardam as velhas lembranças. E como num resgate do tempo, logo os dois corpos se confundiam debaixo dos lençóis de cetim, tentando tornar-se somente um.

Ele acariciou todo o corpo da esposa tentando reconhecê-la, beijou-a com entusiasmo para reacender o fervor que parecia apagado pelo tempo, e cheirou cada dobra de sua pele tentando resgatar o cheiro daquela paixão, sem saber que até mesmo os cheiros envelhecem.

A noite foi longa e a lua não pôde espiar o que aconteceu por detrás das cortinas daquele quarto, mas o sol enfim raiou e trouxe consigo uma enorme ressaca àqueles dois que ainda repousavam sob a proteção dos lençóis acetinados. Acordaram e olharam-se como dois estranhos se olham depois de uma noite de álcool e sexo.

[Mente Hiperativa]