sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Família faz-de-conta


Família faz-de-conta

Família, na sua casa, era como jogo de louça alinhado, daqueles que só se usa em dia de festa e depois é lavado com esmero, guardado no armário até que surja o próximo evento. E entre um aniversário e um reveillon a 'família' ficava ali abafada, sufocada, no interior escuro de um cubo de madeira, cada um na sua prateleira, sem esbarrar um no outro.

Na sua casa somente nas confraternizações a família vinha à tona.

[Mente Hiperativa]

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Às vezes


Às vezes

Às vezes eu não sei exatamente o que fazer.

Às vezes a vida não é nada bela como dizem.

Às vezes eu queria sumir desse mundo.

Às vezes...

Só às vezes.

[Mente Hiperativa]

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Seremos todos Chipados?!


Seremos todos Chipados?!

Pra muita gente ainda pode soar como cena de filme de ficção, um microchip implantado sob a pele sendo capaz de transmitir a localização e inúmeros dados pessoais/médicos acerca do seu detentor. Não é ficção, é a pura realidade, os microchips estão aí no mercado e num futuro bem próximo todos nós estaremos "chipados". Hoje um microchip intradérmico custa cerca de U$200 e mede poucos milímetros, é colocado de forma indolor em poucos minnutos, ou seja, é bastante prático e acessível. Nos EUA e na Europa é muito comum as pessoas possuirem um microchip, no Brasil apesar deles terem chegado desde 2003, a moda ainda não 'pegou'.

À princípio pode parecer fascinante o poder e as vantagens desse microcircuito que mede aproximadamente o tamanho de um grão de arroz, ele pode armazenar inúmeras informações do indivíduo, como sua ficha médica, seu tipo sanguineo, os medicamentos que ele faz uso ou que lhe causam alergia, além de seus antecedentes, as doenças que possui e muito mais.

A pretensão é que o microchip substitua de vez os cartões de crédito e até mesmo o dinheiro, além de todo e qualquer documento de identificação, basta acessar o chip e toda essa informação será fornecida, será o fim do papel, da falsificação, da fraude, o chip trará a solução. Parece bom demais pra ser verdade, e ainda serve de localizador GPS, o que seria bastante útil no caso de sequestro ou desaparecimento numa floresta ou alto-mar.

Mas como tudo na vida há sempre o outro lado, a exemplo da confiabilidade desses dados. Como fica esse requisito? Como fica a privacidade do dono do chip? Como poderemos, nós usuários do chip, selecionar as informações a cada vez que "passarmos o chip" no leitor de uma loja para, por exemplo, fazer um pagamento no cartão? Como ter a segurança de que ali não estão sendo colhidos dados pessoais, médicos ou informações de outra natureza que não sejam do cartão de crédito?

Além disso quem garantirá a privacidade do localizador? Mais do que isso, quem terá acesso à minha localização em tempo real? A empresa fabricante do chip? MINHA ESPOSA? Toda a rede mundial de computadores? O governo?

Sem querer parecer conspiracionista, mas vamos ser sinceros e sensatos, que governo não gostaria de mapear todos os passos de seus cidadãos??? Isso é o sonho de qualquer um, Hitler deve estar se debatendo na sua cova "porque eu não pensei nisso???" O governo já tenta mapear nossos passos há muito tempo, já o faz enchendo as ruas de câmeras 'para a nossa segurança', controlando nossos gastos através do imposto de renda, nossas viagens através do passaporte, nossa vida através dos cartórios, tudo fica documentado, registrado, e um microchip seria um imenso upgrade nesse sentido, seria um monitoramento constante e um controle bem mais amplo.

Semana passada uma amiga colocou um chip, estava feliz por ser o centro das atenções na faculdade, mas na minha opinião ela não passa de uma cobaia americana (seu chip teve financiamento e controle americano). Sinceramente, eu jamais colocaria um desse no meu braço, não sei o que tem dentro, não sei o que faz, não sei que tipo de informação pode transmitir. Eu pesquisei na net e vi que alguns chips são usados no monitoramento e tratamento do câncer. Então se eles podem fazer isso, imagine o tamanho do leque de versatilidade que ele possui. Além do mais quem sabe os efeitos que ele pode causar no organismo a longo prazo? Isso é uma tecnologia muito recente. E se houver medicamentos ali dentro? E se eu for localizado o tempo todo? Se eu for alvo? Se...? Se...? Tô fora, não quero ser chipado, objetizado.

(Prefiro ser um homem do século XX, o séc XXI às vezes me assusta com seu avanço tecnológico.)

[Mente Hiperativa]

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Os opostos se atraem, agora eu sei porque...


Os opostos se atraem, agora eu sei porque...

Eram tão parecidos, mas tão parecidos, que não deram certo juntos.

Ela tinha a mesma personalidade dele, carente, dependente, romântica... As mesmas manias e gostos. À princípio isso causou uma falsa sensação de completude. Mas depois eles perceberam que tinham também as mesmas limitações, os mesmos defeitos, e agora o defeito que antes odiavam somente em si mesmo, agora odiavam também no outro. Além disso, por serem tão parecidos, tornaram-se previsíveis, era fácil supor o comportamento do outro.

Eram tão parecidos, todo mundo achou que iam dar certo, até eles mesmos tiveram essa impressão. Agora dá pra entender o porquê do ditado: "Os opostos se atraem".

[Mente Hiperativa]

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Lúdico


Lúdico

Ele sabe que não é criança
mas adulto não quer ser
vive cercado de conflitos
que tanto luta pra entender

Apesar de muito novo
já sofreu um bom bocado
mas não pense que é chorão
ele é sim bastante reservado

Seus problemas ele guarda
numa caixa com cadeado
prefere fazer assim
pra não parecer desnorteado

Mas com tanta dor no peito
uma hora ele precisa falar
e os amigos mais chegados
sempre podem lhe ajudar

Ele é um garoto especial
de um tipo difícil de achar
espero que um dia ele consiga
um lugar para se encaixar

[Mente Hiperativa]

domingo, 9 de outubro de 2011

De fígado e pâncreas


De fígado e pâncreas

Hoje foi mais uma longa noite de estudo, que se adentrou pela madrugada. Vou dormir algumas poucas horas pois o dia começa cedo, e certamente vou sonhar com um pâncreas inflamado, edemaciado, hemorrágico e necrosado, com ductos obstruídos por concreções calcificadas.

E também com um fígado aumentado, avermelhado, com esteatose, apoptose, fibrose, congestão, estrias hemorrágicas, degeneração e acúmulo intracelular.

Foi o que eu estudei essa noite, dois órgãos, e algumas doenças. A medicina cuida da saúde das pessoas, mas devido à sistematização do ensino, na faculdade de medicina se estuda muitas doenças, as partes do corpo separadas, órgãos doente, partes, partes e partes. E na vida prática, na vida profissional, precisamos lembrar que não encontraremos apenas órgãos doentes, mas sim sim seres humanos doentes. E há uma grande difeença nisso.

Nos hospitais, ambulatórios, enfermarias, emergências eu jamais vou encontrar um [pâncreas] ou um [fígado] isoladamente doente, mas sim uma pessoa com um [pâncreas] ou um [fígado] doente. E então eu me lembro que desde o primeiro período estudamos os ossos e os sistemas em corpos sem vida e, a todo o tempo, eu procurava me lembrar que "aquilo" era parte constituinte de um corpo, que um dia teve vida. Parece bobagem, mas se você não procurar se lembrar disso o tempo todo você acaba se esquecendo e tratando somente de um órgão quando na verdade ali adoece uma pessoa.

E se não pensarmos assim jamais seremos médicos talvez, no máximo, açougueiros.


[Mente Hiperativa]

sábado, 8 de outubro de 2011

Aborto: falem, homens!


Aborto: falem, homens!

Nos protestos, nas paralisações, segurando cartazes, gritando, sempre estão elas, as mulheres, à frente da luta pela legalização do aborto, essa luta que é genuinamente feminina. Mas e os homens, o que tem a ver com isso? Por que eles se mantêm calados diante da discussão, apenas expectando?

Será que eles não tem nada a ver com a história?

Bem, é evidente que a mulher carrega no próprio corpo todo o peso de gerar uma criança, isso é óbvio, mas quem de fato contribuiu pra existência daquele 'serzinho' não foi apenas ela, foi ela e um homem. Sendo assim, em tese, os dois deveriam dividir a responsabilidade daquela vida que está se encaminhando.

Também não quero dizer nas próximas linhas que tanto homem quanto mulher experienciam o aborto da mesma forma, claro que não, mas o que eu penso é que a questão envolve os dois e pra mulher, inclusive, seria melhor ter alguém pra dividir o peso e a angústia de uma decisão tamanha como essa. Eu sou radicalmente contra o aborto, mas infelizmente não posso impor meu ponto de vista; espero ao menos que as mulheres tenham a sensatez de relatar ao pai da criança sua condição de gestante e que juntos ambos decidam o que fazer.

Não quero ser utópico muito menos chauvinista de pensar que todo homem assume o filho com muito prazer, que todo homem gosta de saber que engravidou a namorada ou uma mulher qualquer que viu uma vez na vida e transou depois da festa. Eu sei que não é assim, sei que muitos não querem nem saber, mas de uma forma ou de outra cabe aos dois a responsabilidade em relação ao filho e AMBOS devem ter o cuidado de não acontecer esse "imprevisto". E cá entre nós, há INÚMEROS métodos, desde a simples camisinha até o outro extremo da laqueadura/vasectomia. Eu sei que é praxe o que vou dizer, mas excluindo os casos de estupro/sexo não consentido: "só tem filho quem quer, quem se permite ter".

Muitas mulheres encaram a gravidez como sendo uma questão somente delas, como se o homem não tivesse opinião. Então se a mulher se diz soberana sobre o próprio corpo (e é desde muito tempo, pois conquistou sua soberania a muito custo), ela deveria cuidar-se mais, preservar-se a ponto de evitar uma possível gravidez indesejada, e também um aborto ilegal que poderia pôr fim à própria vida dela.

O aborto hoje, clandestino que é, mata muitas mulheres que acham que é simples assim: "se engravidar eu vou ali na esquina e tiro". Não é simples assim. A droga que se usa pra causar o aborto, o cytotec, não foi feita com essa finalidade e por isso mesmo pode trazer repercussões indesejadas; na maioria das vezes, horas após o abortemaneto, causa hemorragias incontroláveis que podem facilmente levar a gestante a óbito. Isso sem falar nas infecções e nos traumas, além de possível risco de infertilidade.

Diante dessas condições insalubres as quais são feitos os abortamentos clandestinos, qual a sollução que as mulheres encontraram? Legalizar o aborto. Legalizar o aborto apenas melhoraria as condições médicas e contribuiria para a saúde da mulher, mas e da saúde e VIDA do concepto quem cuida? Aliás, quem defende seu direito à vida?

Além de crime, o aborto do ponto de vista médico -e também religioso, moral, social- foge à ética, nenhum ser humano tem o direito de tirar a vida de outro, ainda mais se esse outro for um incauto, incapaz de se defender. Isso é pura covardia, é se sentir DEUS. Então só porque aquela vida está sendo gerada no ventre de uma mulher, isso lhe dá o direito de ceifá-la precocemente? Ainda mais sem que seu parceiro, amante, marido ou namorado sequer saiba que um dia foi pai?

E, por favor, sem essa de "não vou colocar mais uma criança no mundo pra passar fome", muitas das mulheres que abortam têm condições financeiras de criar um filho, e ainda que não tivessem poderiam trabalhar pra fazê-lo, e que bom se o pai ajudar a sustentar essa criança (pois também é obrigação dele), mas se ele não o faz por bem pode fazêlo por mal, através da nossa lerda justiça. Ou seja, há solução para os problemas financeiros, só não há solução para o egoísmo, egocentrismo e falta de amor pra dar.

Eu continuo pensando que as mulheres que não tem condições de ter um filho, seja condições econômicas, sociais ou psicológicas, deveriam criar meios de evitá-los, afinal custou-lhe tanto tempo e luta para que pudessem conquistar a emancipação com relação aos homens que deveriam aproveitar os benefícios que suas antepassadas lhe deixaram. E se ainda assim engravidarem, administrem as consequências, pelo menos por nove meses, e se não quiserem a criança que entregue-a ao pai, à avó, à adoção, à quem for. Mas não mate ela porque ela não tem culpa do descuido dos pais.

Como se vê existem diversas possibilidades para as mães que não quererm criar os filhos, mas parece que é mais fácil matá-lo no ventre e posar de boa moça para a sociedade do que encará-la como sendo a mãe que abandonou o filho.

E por fim, acho muita hipocrisia as mulheres que pintam de diabo o homem que manda a namorada abortar, mas que se sentem no direito de abortar sem que ele nem saiba da existência do seu filho. Onde foi parar a coerência?

E que fique bem claro:
"A maior causa do aborto não é a falta de condições, é a falta de amor."


LINK:

Segue uma sugestão a quem interessar ouvir o depoimento de uma mulher que optou pelo aborto, ela fala detalhadamente sobre tudo que ocorreu, o risco, as sequelas, os procedimentos e tudo que se passou na sua cabeça. É longo mas é muito interessante, eu li e recomendo.

http://cytotec.blogspot.com/



Nota: Homens, precisamos deixar de ser meros expectadores da questão do aborto, precisamos nos posicionar diante desse assunto que sim, nos envolve.


[Mente Hiperativa]