sábado, 11 de fevereiro de 2012

Devaneios de uma madrugada sem você


Devaneios de uma madrugada sem você

Eu quero curtir o silêncio tranquilo ao teu lado, quero teus ditos e não-ditos, o falado e o cogitado, quero teus dilemas e pensamentos, tuas carícias, teu afago. Quero ter certeza de que te tenho mesmo sem te ter plenamente. Preciso ouvir da tua boca o som do 'eu te amo' pra saber que nada mais te importa, e que sem mim nada mais faz sentido. Preciso saber que eu sou teu mundoe que você pensa em mim todas as noite antes de colocar a cabeça no travesseiro e dormir. Eu quero invadir os teus sonhos, sem pedir licença, tomar conta dos teus pensamentos, fazer parte da tua vida. Você me permite?

[Mente Hiperativa]

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Melancolia


Melancolia

Melancolia
Alguém bateu à porta
Se for a tal felicidade
Que volte outra hora.



[Mente Hiperativa]

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Trem da felicidade


Trem da felicidade
m da felicidade

Tem vaga nesse trem
chamado felicidade?
Será que ainda tem?

Vou no último vagão,
se for preciso, eu vou.
Não tem problema não.

Tá cheio? Tá lotado?
Ocupo pouco espaço,
vou até pendurado.

Mas ficar fora, fico não.
Espera que te pego
na próxima estação.


[Mente Hiperativa]

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Morrer assim, desse jeito assim, nunca esperei.


Morrer assim, desse jeito assim, nunca esperei.
Morrer assim, desse jeito assim, nunca esperei.

Morava à beira mar e naquele dia ensolarado foi até a área de lazer do prédio levar o irmãozinho à piscina, mas chegando lá viu que estava lotada de pessoas e por isso bastante desconfortável. Resolveu, então, descer até o hall principal do prédio e distraí-lo com outra atividade qualquer.

Nesse hall havia um vidro bem grande que partia do chão até o teto e formava uma espécie de parede que permitia uma bela vista da praia a quem estava na sala. A vista era realmente bela, tanto que ele parou pra contemplá-la por alguns instantes, olhava o mar, as pessoas na areia, sentadas em suas cadeiras, tomando cerveja e se bronzeando despreocupadamente ao sol.

De repente ele se surpreende com uma onda que atinge as pessoas e as obriga a mudar de lugar, a se afastarem um pouco do mar. Ele procura o irmão com o olhar pelo hall, mas ao perceber que ele está com o pai, volta sua atenção à praia. Acompanha o movimento do mar, que parece agressivo. Mais uma onda vem e novamente molha as pessoas que, abusadas, se afastam um pouco mais do mar e ganham alguns metros aquém da faixa de areia.

Depois dessas ondas tudo fica calmo, e o mar parece secar. Mas não seca como normalmente acontece, ele secou rápido demais, de modo que os peixes ficam ainda pulando na areia seca. Absurdo, você pode pensar, ele também pensou ao contemplar estarrecido a enorme onda que se formava logo adiante. Seus olhos estavam arregalados e num grito desesperado ele disse em vão: "paaaaaaai", enquanto apontava para aquela onda que até projetava uma sombra sobre o solo.

A onda derrubou todos que frequentavam a praia, e num piscar de olhos cobriu tudo que havia pela frente. O vidro do hall, que antes parecia uma janela para o mundo, fora completamente encoberto de água. E seu coração nesse momento batia disparado, em contraste com o seu corpo que estava completamente congelado, paralisado, diante de tamanha cena catastrófica, antes só vista nos noticiários e grandes produções Hollywoodianas.

Seu ouvido, que nunca fora tão bom, conseguiu ouvir os estalos do vidro, e enquanto seus olhos permaneciam arregalados eles observavam pequenas rachaduras se formarem e crescerem, crescerem, até romperem o painel de vidro. A água se espalhou por todo o ambiente, gritos desesperados agora se misturavam com o barulho da água arrastando tudo, até que se fez o silêncio. Tudo ficou sem cor, nem som, não era preto e silêncio, era uma sensação antes desconhecida que se traduzia exatamente em "nada". Não sabia se havia perdido a consciência ou simplesmente morrido. Só sabia que não mais existia naquele momento.

E então acordou do pesadelo, sem entender o que se passou naquele dia tão terrível ou que sensações poderia estar escondendo o seu subconsciente.


[Mente Hiperativa]

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Mistério na praia


Mistério na praia
Mistério na praia


Naquela tarde ensolarada eu caminhava pela praia quando de repente avistei uma mulher de joelhos na linha em que a água do mar toca a areia. Ela chorava por dois corpos que jaziam dentro d'água, parcialmente imersos, um adolescente e um homem maduro. No ímpeto do momento eu corri em direção a eles sem saber direito o que estava acontecendo, se os dois estavam ali mortos há muito tempo ou se estavam ainda agonizando, afogados, eu não sabia de nada. Nesse momento o pânico tomou conta de mim e eu me vi na obrigação de fazer alguma coisa.

Eu corri e fiz respiração boca-a-boca no garoto, tampei-lhe o nariz e soprei na sua boca energicamente, depois juntei as duas mãos ao seu peito e fiz uma massagem cardíaca, e repeti, e repeti, parecia que ele estava mesmo morto pois não reagia. Enquanto isso a mulher apenas chorava, sem falar nada nem me explicar o que havia acontecido. Então, de súbito, o garoto cuspiu um pouco d'água. E eu encorajei-o com palavras a respirar e viver, na esperança de que ele respondesse e me mostrasse que estava consciente. Ele cuspiu mais água, muita água, e começou a respirar com dificuldade.

Eu não sei dizer ao certo quanto tempo durou essa ação, mas logo que me certifiquei de que o garoto estava vivo e respirando bem eu me virei em direção ao homem mais velho que jazia ao seu lado para tentar reanimá-lo também. No entanto, era notável que ele havia morrido e não reagiria a qualquer estímulo; ele já aparentava palidez, frieza, e até fedia à carne podre, de modo que eu nada pude fazer para ajudá-lo, senti-me impotente.

De repente o garoto se virou pra mãe e resmungou: "mãe, estou com fome". Eu sorri de alegria por ter salvo aquela criatura, mas ao mesmo tempo uma lágrima caiu do meu olho por não ter feito nada por aquele que presumidamente seria o seu pai. O garoto estava falando normalmente, parecia consciente e orientado, embora não desse importância ou não se lembrasse do que havia acontecido antes do afogamento. Ele simplesmente ignorava a existência daquele corpo boiando na água ao seu lado.

Pra mim foi difícil aceitar que precisei escolher uma vida dentre duas pra salvar, foi difícil admitir que sacrifiquei um em favor do outro. Na verdade eu só tive tempo de pensar nessas coisas depois do ocorrido, na hora foi tudo muito rápido e eu só agi no intuito de salvar vidas. As diversas elucubrações, planos ou escolhas hipotéticas de como poderia ter sido feito só tiveram espaço depois, justamente quando não havia mais tempo de pensar.

A senhora continuou calada e eu respeitei o luto dela, embora achasse estranho que não dissesse nada nem fizesse o menor esforço pra esclarecer as coisas. Ela levantou-se e foi andando na frente, em direção à avenida, enquanto o garoto seguiu comigo de mãos dadas atrás dela. A praia estava cheia e aparentemente as pessoas não se davam conta do acidente ocorrido, pois não estavam aglomeradas em torno dos afogados, cada um simplesmente vivia sua vida, pegava seu bronze e bebia sua água de coco como se nada estivesse acontecendo ali.

De repente eu procuro a mulher com os olhos e não a encontro. Fico parado no calçadão da praia segurando o garoto firmemente pela mão sem saber onde a mãe dele foi parar. Nessa hora me preocupo e me sinto confuso, sem saber o que fazer, sem saber onde ela está e o que se passa na sua cabeça. Na verdade eu nem sei o que houve naquela praia. Acidente, será? Penso que sim, prefiro não imaginar coisas piores, mas nada me garante que tenha sido um acidente. Por que tanto silêncio? Por que tanta indiferença? Por que ela sumiu? Me sinto confuso.

A melhor conclusão que eu chego é de que devo procurar a delegacia mais próxima e esperar que a mãe apareça ou entre em contato pra buscar o seu filho. Mas antes paro num quiosque pra comprar um lanche, o garoto estava com muita fome.

[Mente Hiperativa]

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Novo-de-novo


Novo-de-novo
Novo-de-novo

E se eu fosse em-branco de novo, se tudo fosse novo, de novo, e cada experiência fosse inédita? E se cada toque revelasse sensações desconhecidas pra mim? E minha língua mostrasse novos sabores?

E se eu fosse todo apagado, e não tivesse experiências tão ruins armazenadas na minha mente? Se eu pudesse andar sem saber que existem minas, e pudesse amar sem saber que há o risco da desilusão?

E se meu passado fosse amassado e eu todo-novo pra viver o futuro? Se tudo-novo fosse meu lema e eu pudesse experimentar sem saber que gosto tem? E se eu pudesse viver sem amarras nem medos, sem receios nem recordações?

E se eu fosse ingênuo de novo, e perdesse minhas referências, boas e ruins? Se eu fosse só amnésia e vontade-de-viver, sem quê, nem porquê? E se eu esquecesse de tudo que já vivi, de bom e ruim, e só me restasse redescobrir?

[Mente Hiperativa]