sábado, 7 de janeiro de 2012

Desejo



Desejo

Desejo

Gosto daquilo que ainda não possuo, gosto do que não tenho, do inapreensível, do distante, do que parece impossível, difícil, inacessível, eu gosto, me anima, me instiga, alimenta o desejo insaciável que vive dentro de mim, gosto da conquista, de conquistar, de correr atrás, pois meus olhos enxergam todo o horizonte, e além, eles veem e querem, são dominados por esse desejo inconsciente de possuir o que parece impossível.

E depois que conquisto, o que fazer com o alvo da conquista?


[Mente Hiperativa]

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Conhecer-se



Conhecer-se

Por muito tempo insistiu que ainda havia amor, mesmo sabendo que ele já tinha morrido faz tempo... Sentiu medo de ficar só, medo de ter que encarar o próprio reflexo no espelho, medo de ter que definir a própria identidade, e de todas as questões que viriam por ocasião da separação. Um dia o namoro enfim acabou, e embora tenha sido feito de tudo pra levantar aquele amor-defunto que insistia em fingir-se vivo, não teve jeito, chegou o momento de encarar e sentir a inevitável dor da solidão.


E deve doer bastante, tendo em vista a quantidade de pessoas que fogem desse encontro como o diabo foge da cruz. Há tantos que vivem uma relação de fachada, sem respeito, sem amor, sem perspectiva, por simples acomodação, por praticidade, por medo, quantos? Muitos se mantêm em relacionamentos acabados, esgotados, pelo simples pavor de ter que encarar a solidão, de ter que repensar os pontos de vista, o modo de vida, as próprias condutas.


Acabar uma relação e ficar sozinho é sempre tempo de pensar e, sobretudo se REinventar. No fim fica só você, sem o outro, sem aquela extensão, aquele apêndice que te completava. E sem essa companhia você deixa de ser um casal pra ser apenas você mesmo, com idéias próprias e muitas decisões a tomar sozinho, sem ter que ouvir o outro, mas tendo a obrigação de arcar com as conseqüências das próprias escolhas. Isso pode ser bastante difícil.


Quando a relação acaba imergimos num mundo de questionamentos, “Quem eu realmente sou, sem as limitações que o outro – de certa forma – me impunha?”, “Do que realmente eu gosto?”, “O que eu poderia fazer e que antes abria mão pelo outro?”. São muitas questões a serem pensadas, tantas que boa parte das pessoas prefere emendar uma relação na outra sem que aja tempo pra esse vazio existencial. E nessa situação onde fica o EU? Como pode amadurecer aquele que não tenta se conhecer plenamente?


Somos todos humanos, cheios de medo e desejo, sofremos por amor, e pela falta dele, sofremos pra amadurecer, e sofremos por resistir à maturidade. Não devemos nos privar do que é humano, e às vezes precisamos sofrer pra poder compreender o sentido da existência, a dor pode nos ensinar a amar verdadeiramente, do jeito “certo”. Além do mais, dilemas existenciais não podem ser divididos, tem que ser ‘sofridos’ secretamente, individualmente, afinal cada existência é perfeita e única. Então porque tanta resistência em se conhecer?


[Mente Hiperativa]

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Memorias em preto-e-branco

Memórias em preto-e-branco

Amores castrados, revogados, pisados, desperdiçados, muitos foram os amores que não deram certo, muitos foram os amores que eu deixei passar. Eu sou sabotador de minha própria felicidade, descobri isso recentemente. E quantos amores eu terei sabotado até descobrir isso?

Angústia, sofrimento, dor, culpa, foram sentimentos que me acompanharam por muito tempo, mas que agora compõem minhas memórias em preto-e-branco, memórias de um tempo que passou e que a cada dia se torna mais distante. Por muito tempo a angústia foi minha companheira mais fiel, mas agora eu me despeço dela, espero que marque as páginas do meu álbum de recordações e permaneça pra sempre no meu passado. Não terei saudades suas.

De todos os sentimentos talvez o arrependimento tenha sido o único que eu não senti, apesar de tudo, apesar dos erros, apesar das loucuras, apesar das consequências dos meus atos muitas vezes insanos. Eu não me arrependo de nada do que fiz, nem dos piores atos ou dos mais inconsequentes, eu paguei o preço e ainda pago, mas não me arrependo.

Talvez eu fizesse algumas coisas diferentes se tivesse a oportunidade de voltar atrás, talvez eu não tivesse forças pra isso, e assim entendo que foi devido tudo o que eu fiz. Eu assumo o risco e o prejuízo dos meus atos, estão todos registrados nas minhas memórias em preto-e-branco. Às vezes à noite na cama, ou à beira da praia, eu me pego folheando o velho álbum e relembrando todo aquele passado encardido... Não que eu sinta saudades, mas é o meu passado, e se não serviu pra construir um bom presente ao menos que sirva de mau exemplo e anti-parâmetro futuro. Daqui pra frente escreverei um novo futuro, mais colorido, quem sabe um dia eu tenha memórias mais felizes, menos gris.

[Mente Hiperativa]

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Manifesto


Manifesto

Tá na moda ser ácido, revoltado, falar de forma agressiva, criticar, criticar e criticar, falar do que está errado, repudiar os bons costumes ou tudo que faz parte do senso comum. A moda é pensar diferente, é se revoltar contra o sistema, contra a sociedade (afinal ela é a grande repressora, né?), contra quem quer que seja, mas sempre com muito ódio nas palavras, cólera nos olhos e sem o menor bom-senso. Repito: sem o menor bom-senso.

De que adianta tanta energia desperdiçada sem o menor embasamento? De que adianta vomitar idéias e sujar a cara dos leitores com suas angústias e rancor se isso não esclarece qualquer coisa?

Não quero ser o romântico nem o conservador, não quero dizer o que é certo e o que é errado, mesmo porque nada disso existe. Mas penso que pra escrever é preciso antes de tudo ter idéias, ter fundamentos, é preciso saber se expressar com clareza e ninguém nasce sabendo fazê-lo, é preciso prática mesmo. Se a intenção é semear a discórdia e a pseudo-revolução vomitando desaforos e banalidades, isso qualquer um faz, mas e o conteúdo cadê?

[Mente Hiperativa]

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Minhas sinceras desculpas



Minhas sinceras desculpas


Eu queria te fazer um carinho, mas minhas mãos não estão perto o suficiente de ti. Poderia te preparar um bolo daquele que você tanto gosta, mas que bobagem, eu nem sei cozinhar... Na verdade a minha vontade é estar perto, mesmo estando distante. Gostaria que minhas sinceras desculpas pelo fracasso dos nossos planos tivessem algum lugar no seu coração, um lugar especial.

Eu ficaria realmente feliz se você aceitasse de verdade as minhas condições, e não somente consentisse com a cabeça pra me acalmar. Eu não vou fazer qualquer loucura se você me contrariar, minha maior loucura é continuar vivendo essa vida sofrida! Eu já não aguentava mais e no fim das contas essa confusão toda serviu pra eu explodir sem ter medo de meus respingos de insanidade. Eu estourei sem ligar a quem iria atingir, por muito tempo atingi só a mim, mas agora... Agora eu quero compartilhar a minha dor que de tão grande não cabe mais somente em mim.

Você já me fez chorar demais. Fui apunhalado e socorrido de imediato, algoz e salvador, algoz antes nunca imaginado, nem pensado, nunca esperei isso de você, nunca mesmo. Prefiro acreditar que na hora da raiva as pessoas se tornam capazes de tudo, até do que não querem. Prefiro acreditar nisso a ter que negar toda a história da minha vida. Sei que você não quer me machucar, não quer me machucar ainda mais, sei que se arrepende do que fez, mas a vida não nos dá uma borracha, apenas mais lápis e papel. O que você quer escrever daqui pra frente?

[Mente Hiperativa]

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

(Sem) destino


(Sem) destino
(Sem) destino

Eu não acredito em cartas de tarô nem confio no brilho da bola de cristal. Não venha me dizer que tem algo pronto pra mim e que está tudo escrito nas estrelas, eu não confio minha sorte aos búzios nem nunca entreguei minha mão pra uma cigana ler minha sorte.

Destino é apenas a desculpa de quem não quer se empenhar, é a fraqueza do perdedor, é a ferramenta de repressão religiosa, é o consolo de quem não tem perspectivas, é a filosofia do menor esforço.

Quem espera que o universo conspire ao seu favor e fica sentado na poltrona esperando a vida passar e as coisas acontecerem pode se contentar com o destino. Quem acredita em livre-arbítrio, em esforço e luta, empenho, merecimento, lei da atração, certamente não está sentado, está construindo seu destino agora mesmo.

Se está tudo escrito então eu sou analfabeto, eu ignoro as estrelas, se alguém me diz o que vai acontecer comigo é porque conhece meu presente e então "lê" meu futuro, "prevê" meu futuro. Qualquer coisa diferente disso pra mim é balela, é alienação, é charlatanismo. No mais eu vou vivendo e construindo o meu futuro, quem escreve ele sou eu.


[Mente Hiperativa]

domingo, 1 de janeiro de 2012

Pecador compulsivo


Pecador compulsivo
Pecador compulsivo

Ora eu peco pela intensidade, ora eu peco pela quantidade. Mas eu sempre peco. E me condeno. E me culpo.

Eu sou, por natureza, um pecador arrependido e compulsivo.

[Mente Hiperativa]