domingo, 2 de fevereiro de 2014

Castelos de areia


Castelos de areia

Iluda-me!
Com falsas promessas,
belos sonhos,
planos inalcançáveis.

Quero as histórias mais bonitas
e desejar que se tornem realidade.
Preciso ouvir uma canção,
sentindo-a tocar minh'alma.

Conte-me o que será de nós,
diga-me onde posso chegar
e que seja bem alto, bem alto...

Encha meu coração de esperança,
meus olhos de brilho
e minhas mãos de trabalho.

Eu não suportaria viver sem ilusões,
me tornaria um desiludido.
Prefiro acreditar, pois tudo é possível.
Então, iluda-me!

[Mente Hiperativa]

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

O amor no divã



O amor no divã 

Eu quis te dar aquilo que eu não tinha e você não aceitou que eu te desse aquilo que você queria, mesmo que eu não estivesse de fato te dando. Você não quis. E eu fiquei com aquilo que não tinha sem saber o que fazer mesmo sem tê-lo propriamente. Você continuou sem aquilo que eu não tinha, porque não quis que eu te desse, mas queria. E continuou a buscar alguém que não quisesse te dar aquilo que não tinha. Eis, então, seu desafio: fazer alguém acreditar que tem aquilo que você quer e persuadi-lo a te dar aquilo que você quer que ele tenha (mesmo sem ter).

Enquanto isso eu permaneço aqui sem ter, mas ainda assim querendo te dar. E você não quer. Todavia não serei mais besta, não cairei na tentação de procurar alguém que não queira o que eu não tenho para que então eu tenha que convencê-la de querer o que eu não tenho e assim o aceite. Esse desafio eu não quero pra minha vida. Agora quem quiser que me convença a dar o que eu não tenho e ainda finja que não quer pra que eu sinta vontade de dar.

[Mente Hiperativa]

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Um café, um fantasma e um bom papo



Um café, um fantasma e um bom papo

O passado às vezes gosta de fazer uma visita surpresa, chega num dia de semana no fim da tarde e sem avisar bate à nossa porta. Quando abrimos e nos deparamos com aquele velho conhecido é inevitável o choque. Falta ar, as pernas tremem e por um instante desejamos até que aquele momento tivesse sido evitado. Mas é melhor assim, sem escolha, pois muitas vezes fato de encarar o passado é uma ótima forma de reeditar as lembranças, tornando-as mais saudáveis.

Pensando bem não há porque temer o passado quando se está com a consciência limpa, quando se agiu com honestidade. E mesmo que algum erro tenha sido cometido, essa é a hora de provar humildade e se redimir. Um encontro com o fantasma é sempre uma boa oportunidade de 'colocar tudo em pratos limpos' e sobretudo subir alguns degraus em direção à paz de espírito. É importante aproveitar essa chance pra selar o caminho de ambos com bastante prosperidade.

Por isso, logo que passou o susto convidei-o pra entrar, tomar um café e colocar o papo em dia. Por onde andou nesse tempo que esteve sumido? O que fez de bom? Conte-me sobre suas aventuras, tenho muito a dividir com você, caro fantasma, como nos bons e velhos tempos em que éramos parceiros.

[Mente Hiperativa]

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Vá se tratar, seu louco!


Vá se tratar, seu louco!


Lucila gosta de apreciar o cheiro de anjo que vez por outra “brota”, segundo ela, do teto de seu quarto e cai em sua cama como uma chuva de plumas. Andréa costuma passar o sábado à tarde conversando com seu avô e outras pessoas mortas enquanto toma café no terraço do antigo casarão da família. Os gêmeos Cláudio e Manoel mantêm seus objetos enfileirados e paralelos afim de evitar qualquer tipo de acidente ou situação de risco com os familiares; haviam descoberto logo na infância essa incrível capacidade de protegê-los. Quando uma abelha ou borboleta entra em seu apartamento, George se coloca em posição de meditação e repete o mantra sagrado da cabra-das-montanhas, pois acredita estar recebendo a visita da divindade em seu humilde lar.

Doutor Gregório não concebe que essas pessoas ajam de forma tão louca e permaneçam "soltas" por aí. Sua vontade é internar todos eles e submetê-los a um tratamento severo até pararem de fazer coisas estranhas. Particularmente, não estou bem certo quanto o diagnóstico... talvez seja loucura mesmo, ou apenas falta de imaginação e criatividade, mas de qualquer forma o Dr Gregório precisa se tratar com urgência!

[Mente Hiperativa]

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Emoções do (a)mar



Emoções do (a)mar 

São quatro da tarde na ilha da saudade, acabei de acordar sem a mínima coragem suficiente pra levantar e abrir as cortinas. Na verdade fujo do sol e de seus raios de felicidade que não conseguem me contagiar. Permaneço, então, no embalo da rede como uma criança a ser balançada nos braços da Mãe. Tento buscar alguma motivação que me leve a encarar o mundo lá fora; já se foram vinte minutos e não consegui mexer nem a pálpebra do olho. Por que você não está aqui ao meu lado pra me dar a força que preciso nesse momento? Depois de uma noite inteira de sonhos você sumiu e me deixou a ver navios... Fiquei de fato a sonhar.

Agora o sol já está bem longe, é inevitável, preciso abandonar o conforto e a segurança quase uterinos do meu quarto para encarar o mundo, arrisco passos inseguros em direção à porta de casa, observo o céu, azul como o mar, sinto o cheiro de maresia – tão seu – que me invade e bagunça minhas lembranças mais primitivas. Agora, sentado no batente da escada, contemplo a imensidão de água salgada e sinto o frio correr minha espinha, apesar do sol ainda não ter sumido completamente. O mar cheio de remorso e culpa vem se retratar a mim, fazendo do ir e vir de suas ondas um acalanto para tranquilizar minha alma calejada por seus duros golpes de outrora.

A essa altura suas águas já não me fazem qualquer convite, também não me assustam como antes; mesmo assim ainda tomo o devido cuidado de respeitar certa distância pra evitar que me façam mal. Logo abaixo encontro meu barco subindo e descendo ao sabor da maré, amarrado por uma corda grossa que o impede de se perder ou sair navegando sem rumo. 'Coragem', o nome dele. Ao vê-lo oscilando na superfície lembro-me das inúmeras aventuras que vivemos juntos, as boas e as ruins, mas todas bastante carregadas de emoção. Recordo que já naveguei muito por esse mar, entretanto hoje a coragem permanece presa à terra firme. E é assim que deve ser.

Já é quase noite e ao horizonte admiro inúmeros barcos navegando pelo oceano sem-fim, talvez sejam pescadores se lançando à sorte de retornarem com suas redes cheias. O meu barco permanece amarrado. As pessoas parecem divertir-se ao desafiar o lençol azul de água, certamente não têm noção do perigo, não imaginam o risco de serem engolidos e se afogarem... Quando dirijo meus olhos ao meu barquinho, frágil e repleto de remendos, de imediato me contagio com sua fraqueza e abandono. Então, penso logo: melhor assim, mantê-lo atracado é mais seguro, é mais prudente.

Desço a escada até a beira-mar, molho os pés na espuma das ondas e logo me escapa um subterfúgio: preciso fazer a barba! e volto pra casa rapidamente. Coloco uma música pra tocar, sirvo um cálice de vinho e busco abrigo no aconchego do meu quarto. Deito na rede e me balanço no embalo das ondas que vem e vão, afinal não preciso de 'Coragem' para viajar, a noite é longa e certamente me reserva um bom sonho de (a)mar.

LEIA TAMBÉM: Meu medo de (a)mar

                                      [Mente Hiperativa]

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Teu mal me fez Bem


Teu Mal me fez Bem

A maturidade me faz perceber que tudo que deveria ter sido ruim acabou de alguma forma se tornando bom, o universo me deu de presente boas pessoas que me acolheram com amor. Graças a ajuda delas consegui mudar o rumo da minha caminhada e escapar do destino infeliz que já era minha rotina. Não acredito que tenha sido sorte, mas oportunidades bem aproveitadas.

Hoje percebo que tua ausência deixou enormes espaços vazios e isso me fez correr atrás de algo pra me preencher. Sem saber você me deu uma ótima oportunidade de permitir o estreitamento com outras pessoas que se tornaram tão estimadas e importantes na minha vida.

As palavras rudes que você me dizia repercutiram em meus pensamentos, me fizeram sentir muita angústia e dor, mas apenas por um tempo. Depois a vida me ensinou a usar um escudo que me protegia das feridas que sua voz me causava. Daí em diante passei a perceber novos sons que antes eu não parava pra escutar, palavras doces e macias foram ofertadas a mim, vindas de outras bocas.

Hoje tuas atitudes não me atingem como antigamente, não me parecem mais socos e pontapés; são apenas suspiros que passam por mim como o vento. Apenas me arrepio, mas não me machuco; não sou mais vulnerável como já fui.

Mesmo sem querer me fazer mal, você fez. Entretanto, superei com maestria e hoje posso passar ao seu lado sem temer. Sou forte e construí uma muralha em torno de mim mesmo, formada por pessoas de mãos dadas que me amam e me amparam caso eu venha a cair. Não estou só nesse mundo e deixei de ser um alvo fácil. Desejo-te felicidade, pois cada um divide o que tem.

[Mente Hiperativa]

domingo, 12 de janeiro de 2014

Café e saudade


Café e saudade

Às vezes sinto muita saudade... mas luto contra a tentação de te procurar. Tomo uma xícara de café para aquecer a alma e me escoro na janela a pensar: será que você também pensa em mim?

[Mente Hiperativa]