domingo, 12 de janeiro de 2014

Café e saudade


Café e saudade

Às vezes sinto muita saudade... mas luto contra a tentação de te procurar. Tomo uma xícara de café para aquecer a alma e me escoro na janela a pensar: será que você também pensa em mim?

[Mente Hiperativa]

sábado, 4 de janeiro de 2014

Reflexões de identidade no meio da madrugada


Reflexões de identidade no meio da madrugada

Nem só de crise vive o ser pensante, mas sobretudo de reflexões. E não há melhor horário do que a madrugada pra despertar os pensamentos mais abstratos e ilógicos possíveis, que no fim das contas nos conduzem por uma viagem de ideias e conexões entre a loucura e o verdadeiro sentido das coisas. Qualquer comentário pode parecer bobagem, mas cada gesto e figura representam um valor para aquele que o interpreta, afinal pra tudo há um sujeito oculto pelo nosso subconsciente.

E pensando na madrugada conclui que sou um cérebro o qual precisa de outros cérebros pra confabular ideias, sou tão coletivo quanto um bando de gnus atravessando a planície do Serengueti e tão inútil quanto um único neurônio isolado, incapaz de produzir qualquer sinapse. Sou unidade, sou amontoado que se perde na multidão e perde a individualidade sem perder a identidade.

Tenho um coração que busca a faca que o perfure sem dó nem piedade, preciso de lágrimas para mover meus sentimentos e fazer bater esse músculo esculpido em pedra sabão. Por isso, então, que quero sempre o fio da navalha a percorrer minha carne fazendo-a despejar o sangue vermelho, vivo, voraz, viajando vagarosamente pela minha alma. E se doer, suportarei até o fim a dor, pois ela me fará sentir vivo.

Lembro daquele dia que quis ficar sozinho, descobri que só não sou nada, senti-me um pedaço de vento sem poder correr, um aparelho de som flutuando no vácuo do universo, que grita mas não fala. Poderia ter nascido como um pedaço de grama no meio do gramado de um estádio de futebol, mas mesmo que tivesse nascido como um simples tufo ao lado de uma tampa de esgoto poderia ao menos tornar menos fétida a podridão que dela exala. E se eu fosse uma flor, que diferença faria adornar os cabelos de uma moça ou compor a coroa que presta uma homenagem póstuma num velório?

Sinto-me como uma vela a derreter sua cera quente, na missa ou no velório, na comunhão ou no aniversário. Sou o calor da vela, do corpo doente, em chamas, sou a vida transbordando do rio, da chaleira ou da sua paciência. Sou humano, sou um pouco disso tudo. Talvez eu não seja nada disso.

Fugi de casa pra não ter que dar satisfação a mim mesmo, talvez eu não queira me encontrar e me perca, mas posso me achar no primeiro bar da esquina, depois bater na igreja. E ainda assim eu não sei quem sou. Será que um dia vou saber? Aliás, será que preciso mesmo saber?

[Mente Hiperativa]

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Feliz amo novo


Feliz amo novo

Começou um novo ano, tempo de alimentar o combustível da vida que é o amor. Desejo a todos que tenham novas oportunidades de se reconciliar com pessoas que estão sem falar, que conheçam novos lugares apaixonantes, novas pessoas interessantes, sabores exóticos, paisagens, circunstâncias diversas. Continuem amando aqueles que já conquistaram um lugar em seu coração,  mas abram espaço pra mais gente. O amor é infinito e cabe numa palavra, num gesto, num olhar ou num toque. Quem ama nunca envelhece a alma e até nos momentos tristes reconhece um bom motivo pra sorrir. Que 2014 seja recheado de amor para todos nós. Amem.

[Mente Hiperativa]

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Profundo como tudo que não tem fim


Profundo como tudo que não tem fim

Fizemos Nexo a noite inteira . Entre frases e beijos misturamos ideias com o cheiro da nossa pele, as palavras saíam de nossas bocas incorporadas em atitudes e até o gesto mais simples carregava um pouco de nossa essência ali exposta sem qualquer tipo de proteção. Estávamos nus, despidos de qualquer casca que pudesse proteger aquilo que carregávamos na alma. Éramos puro sentimento em conexão naquele instante.

Foi longo aquele encontro, parecia coisa de outra vida, vi seus sonhos expostos diante de minhas retinas fatigadas, expus os meus da forma sincera que uma criança faria, sem medo nem resguardo. E eles cresceram sem que precisássemos fazer nada. Senti o suor pingando e já não sabia mais se era meu ou seu tamanha era a comunhão de carne e pensamentos que vivenciávamos naquele momento.

Tão intensa foi a entrega que criamos uma ponte entre nossas mentes por onde fluiam banalidades e seriedades. Cheguei a me esquecer que éramos de carne e osso, alimentei-me de tuas emoções as quais fluiam constantemente a ponto de quase inundar o quarto. Ofereci em troca o meu calor.

Senti-me tão à vontade como poucas vezes me ocorreram na vida, só podia ter sido um arranjo celestial, universal, cosmicamente confabulado. E foram muitos os sorrisos e beijos - afagos na alma - amostras de afeto gerados em meio a um oceano de hormônios que borbulhavam em nós. Esqueci do tempo, esqueci do que me esperava lá fora. Restava apenas a certeza de que nada faria nexo depois daquele breve e eterno mergulho que demos juntos em nossa alma aquele dia.

[Mente Hiperativa]

domingo, 22 de dezembro de 2013

Inatingível perfeição


Inatingível perfeição

Por muito tempo você me exigiu a perfeição e eu, inocente, passei a persegui-la a todo custo até entender que não era a Minha perfeição que eu buscava, mas aquela que Você idealizou pra mim. Um dia me dei conta de que estava perdendo meu tempo e pior, a minha identidade, a minha auto-estima, o meu amor-próprio. E isso tudo apenas para agradar e obter o amor de uma pessoa que não cuidava de mim.

De tanto você falar e me cobrar eu acabei acreditando que precisaria ser perfeito, então tomei tal objetivo como meta de vida. O resultado aqui está: um indivíduo cheio de feridas, mágoas, dores, baixa auto-estima e sobretudo cheio de defeitos, aqueles que você adora me relembrar e tantos outros que eu mesmo crio sozinho.

Mas o tempo passou e eu amadureci, me questionei, sofri bastante e acabei descobrindo que não preciso do seu amor tampouco preciso atingir a perfeição idealizada por Você. Não foi fácil encontrar essa verdade e aceitá-la, mas foi um alívio imenso. Hoje eu sou livre, me sinto forte e poderoso, pois sei que mesmo cheio de defeitos eu sou perfeitamente aceito pelas pessoas que verdadeiramente me amam.

Desisti da missão que você me colocou, abortei o plano de atingir Seu ideal de perfeição, jogo seu conceito no lixo e desobedeço suas súplicas chantagistas de alcançar esse ideal. Desisto até do seu amor. Agora eu empenho minhas energias em cuidar das minhas feridas, remediar minhas mágoas e dores, cuido da minha auto-estima abalada e da minha fragilidade emocional. E sou amado.

Sinto-me um prisioneiro recém-saído do cárcere, a luz da liberdade  ofusca minha visão mas isso me causa imenso prazer. Não sei ainda pra onde vou, mas tenho convicção de que serei feliz onde for. Para o seu desalento ainda carrego em mim todas aquelas características que você julgava como defeito e agora mais uma que me fez afastar de ti e viver Minha vida: amor-próprio.

[Mente Hiperativa]

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Desatando o nós


Desatando o nós

Eu e você,
de laço frouxo
viramos nó cego.

Não dá mais,
não sei separar:
Emendamos!

E eu me perdi...
atado, unido
às suas cordas.

Ah, vou cortar
esse fio apertado
que nos une.

Quero ser
apenas eu só.
E não um nó!

[Mente Hiperativa]

sábado, 9 de novembro de 2013

Éramos felizes...



Éramos felizes...

Éramos tão felizes em nossos sonhos...
Em nossos mundinhos construídos e protegidos
Onde tudo funcionava perfeitamente bem
À nossa maneira

Até que a realidade brotou no meio de nós
Sufocando nossas idealizações bobas e lúdicas
Subjugando cruelmente nossos pobres desejos
A um mundo seco onde a fantasia é renegada

Eis que me pergunto, então:
O que restará de NÓS em meio a isso tudo?


[Mente Hiperativa]