sábado, 26 de janeiro de 2013

Não me faça chorar



Não me faça chorar

Pediu-me pra não falar na chuva
sobre o amor.
Mas sempre canto na chuva,
canções de amor.
É triste a chuva, ela pensa.
Acho triste o amor.
Talvez por isso casem tão bem,
a chuva e o amor.

[Mente Hiperativa]

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

As horas


As horas 

Levantou pra ver as horas, ou simplesmente constatar a passagem do tempo. Procurou o canto dos pássaros, afinal já havia amanhecido, mas apenas ouvia as vozes da sua cabeça. Bateu ela repetidas vezes contra a parede como quem busca certo alívio, que não vinha. Deitou novamente e repousou um sono incansável. Queria ouvir o canto dos sabiás e bem-te-vis, quem sabe até sentir um deles empoleirado em seu dedo indicador. Queria poder voar pra longe... Mas não havia espaço suficiente no cômodo em que vivia, também não tinha janelas e a porta era mantida sempre trancada. No silêncio contrariado adormeceu, sem ao menos saber as horas. Antes de deitar-se pôde constatar que o relógio havia parado no tempo.

[Mente Hiperativa]

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

O meu silêncio fala. E até mata.



O meu silêncio fala. E até mata.

Às vezes ouço tantos absurdos que me calo diante deles. São inúmeras as palavras agressivas tentando me ferir, além de calúnias falaciosas e todo tipo de abuso gratuito dirigido à mim. Depois de tantos episódios semelhantes aprendi que não adianta discutir certas coisas com determinadas pessoas; falar é alimentar a sua ira desmedida e permitir que tal ciclo vicioso permaneça vivo. Diante disso eu calo, não digo nada, nem que sim, nem que não, e espero que meu silêncio transmita minha profunda indiferença em relação às palavras que não pude evitar de ouvir. Se não posso matar a pessoa que fala tamanhos absurdos, posso ao menos sufocar suas verdades absolutas e fazer com que engula o próprio veneno que a matará mais tarde. Não mato ninguém, jamais o faria, porém quem tenta fazer mal a outrem e não consegue acaba por se intoxicar dia após dia, traçando seu próprio destino, inevitável.

[Mente Hiperativa]

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Confissões de um extraterrestre



Confissões de um extraterrestre

Sinto-me perdido nesse mundo hostil de pessoas rudes e incompreensíveis, que julgam antes de estender a mão, que olham atravessado ao invés de estabelecer uma simples conversa. Não consigo me adaptar, não me sinto em casa, não crio laços fortes, nem ambições humanas demais.

Tenho vontade de me transportar pra outra dimensão bem distante, pra minha verdadeira casa, pra uma gruta isolada no meio de uma floresta virgem. Queria poder sumir daqui e não ter que ver ninguém, nem ouvir voz alguma por pelo menos algumas semanas, ou quem sabe alguns meses ou anos. Preciso de férias da humanidade!

Mas sei que não é possível, tenho consciência de que estou aqui pra travar contato com esses seres, preciso aprender a lidar com eles e trabalhar minha inabilidade em expressar minhas vontades e pensamentos com palavras e atitudes, já que eles não podem escutar o que se passa dentro de mim sem que eu assim me expresse.

Preciso aprender a me fazer entender, pois difícil seria explicar a eles o modo peculiar que sei me comunicar: sem palavras, sem sons, apenas com o olhar e a intuição. É difícil demais lidar com os humanos, muito difícil, mas a cada dia junto forças não sei de onde pra prosseguir com essa dura tarefa. Vamos lá...


[Mente Hiperativa]

sábado, 12 de janeiro de 2013

Sexo: uma perda de tempo inevitável!



Sexo: uma perda de tempo inevitável!

O sexo é um grande atrapalho na vida, antes mesmo de praticá-lo já nos vemos às voltas com o nosso corpo, encontramos mil defeitos, nos envergonhamos dele e evitamos expô-lo desnecessariamente. Desde o principio sentimos medo da rejeição, tememos que o outro não nos aprove e nos deixe por conta disso.

Depois dessa fase começa a busca incessante por outra pessoa, queremos não apenas conquistá-la, mas também ser desejado, elogiado, saciado em nossas vontades primitivas e desejos proibidos. Procuramos alguém que nos agrade, mas é difícil encontrá-la uma vez que aquela pessoa bonita parece muito arrogante, a simpática é muito baixinha e desengonçada, a que tem um belo corpo é feia de rosto; a única que nos atrai em todos os sentidos é comprometida ou não sente atração por nós. Mas continuamos a busca.

Enfim, depois de ter perdido boa parte da vida procurando, um dia conhecemos alguém que nos completa e nos dá o amor que tanto esperamos. Então não demora muito até passar ao nosso lado um par de coxas atraentes, donas de um olhar sedutor, e jogamos tudo pra cima em troca de algumas horas de prazer. Assim, logo colocamos tudo a perder. E não é que o amor tenha fraquejado nesse momento de infidelidade, ele se mantém forte como antes, mas o desejo falou mais alto e nos revelou alguma insatisfação até então escondida. Depois dessa escapada, se não conseguimos contornar o conflito gerado, voltamos à estaca zero e toda busca se inicia novamente.

Caso tenhamos superado a fase de aventuras paralelas, seja por omissão ou próprio enfrentamento da questão junto ao outro, inevitavelmente com o passar dos anos a relação acaba por entrar numa fase de estagnação na qual o desejo esfria e torna o sexo menos intenso e aproveitável. É chegado o outono da vida, momento em que a relação se torna mais sedenta por companheirismo do que noites regadas a fantasias sexuais condenáveis e libidinosas. Assim, o sexo se enfraquece.

Desse modo, o sexo nos faz perder boa parte do tempo à procura de migalhas de prazer. Muitas vezes largamos tudo que foi construído pelo amor em troca de uma noite ardente, e no dia seguinte sofremos um remorso absurdo devido a tamanha loucura que foi cometida. O sexo é bom, muito bom, mas a maior parte da vida adulta envolve rejeição, música triste e pornografia ruim; somos movidos pelo sexo, mas ele não nos leva a lugar algum. Às vezes é sensato concluir que seria melhor não sentir o prazer sexual, mas o que fazer se o desejo insiste em correr nas nossas veias e pulsar no nosso corpo? Como não se entregar a ele?

Não adianta lutar contra, o sexo é uma perda de tempo inevitável!

[Mente Hiperativa]

domingo, 6 de janeiro de 2013

O luto é um só



O luto é um só

O luto é um só, vivenciado à cada morte, à cada perda. Em cada evento desse tipo ele ressuscita, ressurge de algum lugar sombrio de nossa mente e coração, nos fazendo lembrar daqueles que já se foram. Toda vez que morre mais um, seja um parente próximo ou distante - ou mesmo um personagem de um filme - vem à nossa cabeça a lembrança daquela pessoa amada que se foi.

E ainda dói...

[Mente Hiperativa]

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Amor que faz doer



Amor que faz doer

Amor que machuca, que castiga e pune. Depois acaricia e beija as feridas que ele mesmo causou. Amor que maltrata, pisa e depois abraça com ternura por medo de perder. Há quem diga que isso não é amor, há quem desista facilmente de pessoas assim, sem querer investir mais um dia sequer. O amor é quase sempre bom, mas às vezes faz doer.

São poucos os que se submetem às atrocidades dessa estranha forma de amar. Quase ninguém aguenta por muito tempo se submeter às provas dolorosas que esse tipo amor exige. É realmente difícil ter que lidar com o lado mais cruel da pessoa amada, algumas parecem exigir que suportemos isso para poder ter certeza de que a amamos na sua integridade. Sem aceitar o seu lado mais sombrio e indesejado, o amor não seria pleno.

Pode parecer loucura ou absurdo da minha parte, mas o amor não é todo romantismo, nem é sempre doce como relatam nos livros. Por isso que muitos têm medo de amar, na verdade têm medo de sofrer por amor. Não tenho a menor certeza de que seja possível amar sem sofrer, tampouco acredito ser concebível viver uma relação repleta somente de felicidade. E no momento em que o amor mostrar sua face mais perversa, não saberei o que fazer.

A maioria das histórias de amor terminam diante do primeiro percalço, muitos largam tudo de positivo que foi construído por conta de meia dúzia de palavras duras, ou mesmo abandonam e desistem da relação por uma soma de momentos difíceis. Às vezes o amor se acaba -ou é friamente assassinado- diante da impossibilidade de se viver "felizes para sempre". Algumas pessoas, no entanto, resistem a essas provas e com o tempo não sentem mais tanta dor diante das atrocidades cometidas em nome do amor; suas almas se tornam calejadas diante de tanto sofrimento e é isso que as permite seguir adiante.

Será esse o caminho do amor pleno?

[Mente Hiperativa]