domingo, 16 de setembro de 2012

Comece


Comece

Amanhã é segunda-feira

comece uma nova dieta

inscreva-se na natação

corra na praia no fim da tarde

compre sapatos novos

ou gravatas novas

assista menos televisão

leia mais

escreva um verso por dia

contemple a natureza

ouça o silêncio

admire-se no espelho

paquere pessoas desconhecidas

beije mais

ame

ligue para aquele amigo sumido

tome um café na lanchonete da esquina

e olhe ao seu redor

enxergue um novo mundo

se dê novas oportunidades

ande por novos caminhos

abandone o carro

e vá a pé

ou pegue carona com aquele colega distante

estreite laços

converse mais

faça novos amigos

jogue fora o que não presta

doe o que não usa mais

abra espaço para coisas novas

no armário e na vida

amanhã é segunda-feira

que tal começar algo novo?

[Mente Hiperativa]


sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Mudando os ares


Mudando os ares

Eu queria sair daqui, não pra fugir dos meus problemas, pois já entendi que não posso fazê-lo. Meu desejo era apenas mudar os ares, conhecer novos lugares, novas pessoas, afastar-me do meu mundo, tão pequeno. E assim eu fui, de malas prontas cheias de entusiasmo e alegria, passei um tempo fora, e foi uma experiência reveladora. No novo mundo eu não descobri nada que mudasse minha vida, mas nele eu pude enxergar de longe a minha realidade, pude enxergar o que de perto eu não consegui ver.

Viajei pra esquecer de tudo, e acabei entendendo o que eu queria esquecer.

[Mente Hiperativa]

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Amor indigesto



Amor indigesto

Acordei com fome, muita fome, peguei os melhores ingredientes para preparar um prato de AMOR. Eu sei que amor não enche barriga, mas eu estava com desejo de comê-lo. Fiquei salivando só em pensar naquele amor bem temperado, picante e assado; reguei-o no vinho e rapidamente o coloquei no forno pré-aquecido.

Em meia hora estava pronto o amor e antes que desse tempo de aprontar a mesa, eu já tinha devorado tudo. Talvez eu tenha comido muito rápido, ou o meu estômago não tenha aceitado-o bem, de uma forma ou de outra corri ao banheiro, coloquei o dedo na garganta e vomitei o amor. Ele não me fez bem, eu precisava pôr pra fora. Confesso que sempre faço isso, não é novidade pra mim. É difícil admitir, mas talvez eu sofra de bulimia amorosa.

[Mente Hiperativa]

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Feridas da infância


Feridas da infância

Quando eu era criança fui machucado, não no corpo, mas na mente. Eu sofri, chorei, calei. O tempo passou, tornei-me adulto e pensei que as feridas haviam fechado. Ledo engano... A criança que um dia sofreu ainda permanece dentro de mim e cada vez que eu - agora adulto - entro em contato com a mesma situação que causou esse trauma, a criança indefesa e confusa se põe a chorar.

Isso explica bastante coisa, agora entendo porque em certos momentos não consigo agir, me sinto engessado, fica difícil fazer qualquer coisa por mais simples que seja. Eu como adulto conseguiria resolver, porém nesses momentos a criança é chamada e traz consigo toda a memória dolorosa que viveu, resgata todo o estresse e o instala no eu-adulto. Então, o adulto fica sem saber o que fazer e a criança dentro dele apenas sofre, calada.

Antes eu não tinha esse entendimento acerca dos meus medos e bloqueios, mas de agora em diante devo me esforçar para aprender a cuidar dessa criança que vive dentro de mim. Sendo assim tenho que explicá-la que o eu-adulto deve tomar frente diante desses eventos traumáticos, preciso proteger a criança e deixar que o adulto enfrente seus medos de forma racional.

[Mente Hiperativa]

sábado, 1 de setembro de 2012

Inversão de pólos


Inversão de pólos

O homem sendo algoz é algo absurdo, a mulher virando a mesa é um ato de bravura; o homem que manda em casa é opressor, a mulher dando as ordens é uma revolucionária; o homem que bate é covarde, a mulher que agride é justiceira; o homem que humilha é linchado, a mulher que manda é aclamada.

O machismo é errado, o feminismo é correto; condena-se um, mas aplaude-se o outro. Porquê?

[Mente Hiperativa]

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Pense positivo


Pense positivo

Era um bebezinho tão bonito quanto qualquer outro ali, mas estava sozinho, as atenções não se distribuíam igualmente e ele era o único solitário. E porque uma criatura tão inocente estaria sendo renegada de tal forma? Porque o evitavam dessa maneira tão fria? Que mal ele poderia ter feito sendo tão puro, incauto e indefeso? Todos o observavam à distância, com medo de tocá-lo, de pegá-lo no braço, medo que ele vomite, babe ou faça xixi. Medo, o medo era tão grande que se tornou irracional e absurdamente imbecil, mas as pessoas não o notavam assim. Aquele bebê era tão importante quanto qualquer um, tão inofensivo quanto os outros; somente por conta de uma sorologia viral positiva tornou-se distinguível da maioria e alvo de extrema recusa de contato. Será que um exame poderia transformar um bebê tão puro em um monstro tão repugnante? Quando será que o preconceito e a ignorância serão menores que o amor ao próximo?

Espero que não demore muito.

[Mente Hiperativa]

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

O amargo sabor da traição



O amargo sabor da traição

Só há traição quando há confiança, primeiro você dá crédito à pessoa, investe nela, crê que ela nunca seria capaz de te fazer mal algum, e de repente quando menos espera ela usa da tua confiança pra te trair, te apunhala pelas costas sem a menor piedade. Em troca de quê? Queria entender porque certas pessoas nos iludem e depois nos causam mal, será que elas têm prazer nisso? Será sincero seu arrependimento ou tudo faz parte de um jogo sádico para obter o perdão e nos enganar novamente?

Queria ter que não vivenciar isso, mas talvez na vida seja preciso experimentar de todos os sentimentos, bons e ruins, e ao menos tentar aprender a lidar com eles. Dentre todos esses sentimentos um dos mais amargos com certeza é a traição, uma mistura de dor e profundo desgosto. Ao ser traído o primeiro pensamento que passa na nossa cabeça é "porquê ele(a) fez isso?". Talvez nunca entenderemos. Depois um profundo arrependimento toma conta de nós, e em seguida a raiva. Finalmente precisamos refletir e tomar uma atitude a respeito, e essa é a parte MAIS difícil.

Não há uma forma exata de lidar com a traição, diz-se que se alguém te trai uma vez a culpa é do outro, mas se trai duas, a culpa é sua. Então deveríamos romper a relação ao menor sinal de traição? Ou perdoar e alimentar essa condição de falta de confiança e respeito? Pra maioria das pessoas, em tese, a confiança só se perde uma única vez e nunca mais se resgata, mas será assim na prática? Quantas vezes acabamos por perdoar e somos novamente traídos? Quantas vezes a traição se torna uma rotina, uma balela, e a confiança perde sua importância na relação? Muitas vezes nos enganamos, fugimos da realidade, não queremos aceitar que somos traídos, mas infelizmente não dá pra se enganar pra sempre.

E quando se trata de uma traição amorosa, de um casal, ainda dá -com muita coragem- pra acabar o namoro/casamento e seguir a vida, mas se a traição for entre familiares? Se for um irmão, um pai, uma tia? Como lidar com esse sentimento diante da impossibilidade de romper completamente o laço que os une? É muito bonita a mensagem cristã de perdoar e oferecer a outra face, mas será que estamos preparados pra isso? Será que é tão fácil assim? E o peso de todas as consequências que isso traz? E a vida inteira de traições que pode vir a seguir?

Ainda preciso aprender a lidar com essa questão. É muito difícil.
[Mente Hiperativa]