sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Mudando os ares


Mudando os ares

Eu queria sair daqui, não pra fugir dos meus problemas, pois já entendi que não posso fazê-lo. Meu desejo era apenas mudar os ares, conhecer novos lugares, novas pessoas, afastar-me do meu mundo, tão pequeno. E assim eu fui, de malas prontas cheias de entusiasmo e alegria, passei um tempo fora, e foi uma experiência reveladora. No novo mundo eu não descobri nada que mudasse minha vida, mas nele eu pude enxergar de longe a minha realidade, pude enxergar o que de perto eu não consegui ver.

Viajei pra esquecer de tudo, e acabei entendendo o que eu queria esquecer.

[Mente Hiperativa]

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Amor indigesto



Amor indigesto

Acordei com fome, muita fome, peguei os melhores ingredientes para preparar um prato de AMOR. Eu sei que amor não enche barriga, mas eu estava com desejo de comê-lo. Fiquei salivando só em pensar naquele amor bem temperado, picante e assado; reguei-o no vinho e rapidamente o coloquei no forno pré-aquecido.

Em meia hora estava pronto o amor e antes que desse tempo de aprontar a mesa, eu já tinha devorado tudo. Talvez eu tenha comido muito rápido, ou o meu estômago não tenha aceitado-o bem, de uma forma ou de outra corri ao banheiro, coloquei o dedo na garganta e vomitei o amor. Ele não me fez bem, eu precisava pôr pra fora. Confesso que sempre faço isso, não é novidade pra mim. É difícil admitir, mas talvez eu sofra de bulimia amorosa.

[Mente Hiperativa]

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Feridas da infância


Feridas da infância

Quando eu era criança fui machucado, não no corpo, mas na mente. Eu sofri, chorei, calei. O tempo passou, tornei-me adulto e pensei que as feridas haviam fechado. Ledo engano... A criança que um dia sofreu ainda permanece dentro de mim e cada vez que eu - agora adulto - entro em contato com a mesma situação que causou esse trauma, a criança indefesa e confusa se põe a chorar.

Isso explica bastante coisa, agora entendo porque em certos momentos não consigo agir, me sinto engessado, fica difícil fazer qualquer coisa por mais simples que seja. Eu como adulto conseguiria resolver, porém nesses momentos a criança é chamada e traz consigo toda a memória dolorosa que viveu, resgata todo o estresse e o instala no eu-adulto. Então, o adulto fica sem saber o que fazer e a criança dentro dele apenas sofre, calada.

Antes eu não tinha esse entendimento acerca dos meus medos e bloqueios, mas de agora em diante devo me esforçar para aprender a cuidar dessa criança que vive dentro de mim. Sendo assim tenho que explicá-la que o eu-adulto deve tomar frente diante desses eventos traumáticos, preciso proteger a criança e deixar que o adulto enfrente seus medos de forma racional.

[Mente Hiperativa]

sábado, 1 de setembro de 2012

Inversão de pólos


Inversão de pólos

O homem sendo algoz é algo absurdo, a mulher virando a mesa é um ato de bravura; o homem que manda em casa é opressor, a mulher dando as ordens é uma revolucionária; o homem que bate é covarde, a mulher que agride é justiceira; o homem que humilha é linchado, a mulher que manda é aclamada.

O machismo é errado, o feminismo é correto; condena-se um, mas aplaude-se o outro. Porquê?

[Mente Hiperativa]

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Pense positivo


Pense positivo

Era um bebezinho tão bonito quanto qualquer outro ali, mas estava sozinho, as atenções não se distribuíam igualmente e ele era o único solitário. E porque uma criatura tão inocente estaria sendo renegada de tal forma? Porque o evitavam dessa maneira tão fria? Que mal ele poderia ter feito sendo tão puro, incauto e indefeso? Todos o observavam à distância, com medo de tocá-lo, de pegá-lo no braço, medo que ele vomite, babe ou faça xixi. Medo, o medo era tão grande que se tornou irracional e absurdamente imbecil, mas as pessoas não o notavam assim. Aquele bebê era tão importante quanto qualquer um, tão inofensivo quanto os outros; somente por conta de uma sorologia viral positiva tornou-se distinguível da maioria e alvo de extrema recusa de contato. Será que um exame poderia transformar um bebê tão puro em um monstro tão repugnante? Quando será que o preconceito e a ignorância serão menores que o amor ao próximo?

Espero que não demore muito.

[Mente Hiperativa]

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

O amargo sabor da traição



O amargo sabor da traição

Só há traição quando há confiança, primeiro você dá crédito à pessoa, investe nela, crê que ela nunca seria capaz de te fazer mal algum, e de repente quando menos espera ela usa da tua confiança pra te trair, te apunhala pelas costas sem a menor piedade. Em troca de quê? Queria entender porque certas pessoas nos iludem e depois nos causam mal, será que elas têm prazer nisso? Será sincero seu arrependimento ou tudo faz parte de um jogo sádico para obter o perdão e nos enganar novamente?

Queria ter que não vivenciar isso, mas talvez na vida seja preciso experimentar de todos os sentimentos, bons e ruins, e ao menos tentar aprender a lidar com eles. Dentre todos esses sentimentos um dos mais amargos com certeza é a traição, uma mistura de dor e profundo desgosto. Ao ser traído o primeiro pensamento que passa na nossa cabeça é "porquê ele(a) fez isso?". Talvez nunca entenderemos. Depois um profundo arrependimento toma conta de nós, e em seguida a raiva. Finalmente precisamos refletir e tomar uma atitude a respeito, e essa é a parte MAIS difícil.

Não há uma forma exata de lidar com a traição, diz-se que se alguém te trai uma vez a culpa é do outro, mas se trai duas, a culpa é sua. Então deveríamos romper a relação ao menor sinal de traição? Ou perdoar e alimentar essa condição de falta de confiança e respeito? Pra maioria das pessoas, em tese, a confiança só se perde uma única vez e nunca mais se resgata, mas será assim na prática? Quantas vezes acabamos por perdoar e somos novamente traídos? Quantas vezes a traição se torna uma rotina, uma balela, e a confiança perde sua importância na relação? Muitas vezes nos enganamos, fugimos da realidade, não queremos aceitar que somos traídos, mas infelizmente não dá pra se enganar pra sempre.

E quando se trata de uma traição amorosa, de um casal, ainda dá -com muita coragem- pra acabar o namoro/casamento e seguir a vida, mas se a traição for entre familiares? Se for um irmão, um pai, uma tia? Como lidar com esse sentimento diante da impossibilidade de romper completamente o laço que os une? É muito bonita a mensagem cristã de perdoar e oferecer a outra face, mas será que estamos preparados pra isso? Será que é tão fácil assim? E o peso de todas as consequências que isso traz? E a vida inteira de traições que pode vir a seguir?

Ainda preciso aprender a lidar com essa questão. É muito difícil.
[Mente Hiperativa]

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

(Re)construindo o conceito de amor



(Re)construindo o conceito de amor

Descobri que meu inconsciente me move rumo à relações fracassadas e inconcebíveis, ele age como uma espécie de ímã que me atrai sempre na direção do "amor-cilada". Digo isso porque minhas relações nunca duram, sempre são complicadas, curtas e frustrantes. E não pense que tenho gosto pela decepção, também não faço a escolha consciente de sofrer ou pular de relação em relação, o problema é que minha mente tem uma visão distorcida a respeito do amor. É sempre assim, ela trabalha arduamente na seleção de romances fadados ao insucesso, escolhe justamente aqueles que qualquer um diria: "assim você não vai ser feliz", e dessa forma justifica o fato de não terem dado certo.

Por muito tempo quis acreditar que tinha falta de sorte no amor ou que vivia uma fase ruim a qual logo ia terminar; depois achei que tivesse uma fixação pelo desafio, uma estranha busca por árduas (e inatingíveis) conquistas. Refleti bastante sobre essas questões, embarquei numa longa jornada junto aos meus pensamentos até começar a entender o que se passava nas profundezas da minha mente. Hoje tudo começa a clarear, algumas coisas parecem bem óbvias apesar de até ontem se manterem incompreensíveis. Deu muito trabalho, mas tudo começa a vir à tona.

Enfim descobri - na verdade estou começando a entender - que a grande chave de tudo é que assimilei o amor de forma errada. Desde muito cedo aprendi que ele tinha um caráter clandestino, vi isso com meus olhos, senti isso nas minhas vivências, constatei isso tão de perto que ninguém conseguiu me convencer do contrário. Nem mesmo a vida com todo o seu poder de persuasão foi capaz de desmentir essa ideia que construí em torno do amor, e assim passei a repetir de forma inconsciente esse padrão errôneo instituído na mais tenra idade.

Recentemente compreendi que de alguma forma inconsciente alimento um ciclo vicioso que faz parecer atraente o amor que nunca vai dar certo, me sinto seduzido por esse sentimento distorcido que condiz com as referências que tenho. Mas a diferença é que agora tenho a oportunidade de lutar contra esse mecanismo que me causa tanta angústia e dor. Aprendi o amor de uma forma errada, tornei-me um ser errante que insiste em sabotar a si mesmo. Preciso reconstruir a impressão que tenho sobre o amor, reeditar meus conceitos e aprender a amar. Assim serei feliz.

[Mente Hiperativa]