sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Viva os loucos



Viva os loucos

Louco é todo aquele que não se encaixa na legislação vigente, que não encontra lugar na sociedade e que não se sente feliz diante dela. São tantos os loucos, os que são e os que já foram, e tantos que ainda serão. Ser louco é fácil, basta ter um pouco mais de bom-senso do que a média, é só pensar e se questionar, encontrar motivos pra se sentir mal diante de tamanhas atrocidades que os 'semelhantes' cometem. Numa sociedade doente é considerado louco aquele que se sente diferente da maioria e que não se sente semelhante à mesma. Quem será o louco então? O que a loucura tem de ruim? Não entendo porque os loucos não são venerados como gênios, idolatrados como santos, sábios, endeusados e sobretudo ouvidos. Os loucos teriam muito a ensinar caso tivessem reconhecido seu valor, caso tivessem a oportunidade de pensar, se tivessem credibilidade para isso. Quero me manter louco a vida inteira, e nunca me render a esse sistema, nunca aceitar passivamente a normalidade dos costumes vigentes, verdadeiramente insanos, que machucam outros seres, que passam por cima da coletividade, que subtraem, que não fazem qualquer sentido, que prejudicam mais do que ajudam. Quero ser louco, me orgulho de ser louco, de ser diferente, de pensar diferente. Sou louco com orgulho. Obrigado.

[Mente Hiperativa]

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Isso é viver


Isso é viver

Entregue-se ao medo
Ande abraçado ao desafio
Faça da luta sua companheira
A vida é cheia de novidades
Procure-as exaustivamente
E não desanime se der errado
Pra cada derrota que se sofre
Surgem múltiplas oportunidades
Abandone seu casulo confortável
Encare o mundo e as pessoas
Isso é viver

[Mente Hiperativa]

domingo, 29 de julho de 2012

Basta de pseudo-amor!


Basta de pseudo-amor!

É engraçado como o amor bate à porta, toca a campainha e espera que o convidem pra entrar. O pseudo-amor invade pela janela, se disfarça de vendedor, envia um convite por debaixo da porta, coloca um carro de som na frente do seu prédio pra você sair de casa e ir encontrá-lo.

O pseudo-amor é sedutor, envolvente, cativante. E o amor, porque tem que ser tão tímido e obediente?

As coisas bem que poderiam ser um pouco mais fáceis e óbvias, não quero com isso que a vida pareça ridícula ou babaca, mas às vezes -só às vezes- ela poderia ser mais generosa. Cansa só esbarrar com as dificuldades e nunca acertar o prêmio. Cansa.

[Mente Hiperativa]

sábado, 28 de julho de 2012

Bolsa de valores do amor


Bolsa de valores do amor

Mais uma história de amor que findo, mais uma esquina da vida que dobro. Ficam saudades, sim, sobram mágoas também; na minha estante coleciono mais um relacionamento fracassado, no meu coração mais uma ferida aberta e na minha mente mais uma experiência válida. E o que tirar do fracasso, senão mais uma lição?

O amor é como um investimento na bolsa de valores, você aposta sem saber se ele te trará lucro ou prejuízo, depende do seu empenho sim, mas não apenas disso. Muitas vezes fazemos tudo certo, agimos com caráter, com carinho, nos entregamos, esperando receber o mesmo em troca. E a bolsa quebra, as ações desvalorizam, a outra parte não tem a mesma consideração a você, não há reciprocidade, e tudo precisa acabar.

Minha estante tem muitos troféus, foram batalhas perdidas, mas a guerra não acaba nunca. E apesar dos fracassos sinto-me orgulhoso por ter perseverado. Nunca desisti de encontrar o amor, nunca me entreguei sem acreditar que poderia dar certo, não jogo sujo. E se por acaso não deu certo eu sei que tentei, que fui honesto, e que me mantive de olhos abertos, pois sei que na bolsa de valores do amor muita gente quer se dar bem.

Como disse o grande Guimarães Rosa, 'a vida é um rasgar-se e remendar-se', e assim sendo eu estou pronto pra me remendar. E sigo atento, pois o amor pode estar à espreita. Por isso me entregarei novamente quantas vezes for preciso, não tenho medo de errar, nem medo de fracassar. Mas estou de olhos abertos para não ser enganado. E continuo apostando na bolsa de valores do amor, a coleção de decepções é vasta, mas a minha esperança no amor é maior.


[Mente Hiperativa]

terça-feira, 24 de julho de 2012

Sou poeta, dá licença?



Sou poeta, dá licença?

Eu posso falar de amor sem vivê-lo, posso viver a dor de alguém que me cerca, ou de alguém que nunca existiu. Posso ser feliz sem ser, viajar por todo o mundo, por outros mundos, sem sair de casa, mantendo-me no calabouço do meu quarto. Eu sou o mendigo que implora esmola na rua, mas que só espera receber algum valor humano, sou a velhinha experiente que sofre jogada na sala como uma máquina velha sem função, sou a criança de olhos expressivos que não sabe nada do mundo e justamente por isso é bastante feliz. Eu sou o intelectual que fala, o ignorante que afirma, e o sábio que nada sabe, sou a força do povo, o luxo da elite, sou a ilusão do poder, sou a faca que rasga a carne sem a menor piedade. Sou frio, sou sensível, sou feito de dor e de lágrimas, de palavras agressivas e doces. Sou poeta, enfim.

Através de inúmeras histórias eu conto o que vivo, mas a verdade é que todo escritor é um grande fingidor que vive vidas e mais vidas sem nunca vivê-las de fato, mas vive em sua mente e as presencia, experimenta, convive e até inventa. Eu sou poeta, tenho licença pra isso, tenho várias vidas, muitas vivências, algumas terrenas, outras imaginadas, porém uma só essência que me motiva a escrever. E quem poderá dizer que eu não vivi aquele amor ardente que vi no filme hoje mais cedo? Quem dirá que eu não senti a dor daquela desconhecida no shopping domingo à tarde, a qual desabafava com a amiga na mesa ao lado enquanto eu almoçava? Quem pode falar que não sinto o desprezo que sente aquele indigente noticiado ontem na TV, abandonado na sarjeta e posteriormente queimado por um bando de burguesinhos?


Eu sou poeta e preciso viver a vida, sentir a adrenalina pulsando, meu sangue correndo nas veias, preciso sentir a dor, a decepção, a alegria, a euforia, sentimentos que transformo em palavras. Eu tenho licença pra cometer erros gramaticais, criar teorias, inventar personagens, manipular e brincar com as palavras. A mim tudo é permitido fazer pra passar adiante a impressão que tenho sobre a vida, tenho licença poética e posso usar do que for pra escrever, mas nunca duvide de uma coisa: o que escrevo será sempre a expressão da verdade que carrego no peito.


[Mente Hiperativa]

segunda-feira, 23 de julho de 2012

O que realmente vale


O que realmente vale

Silêncio e olhares
são tão preciosos
mais que palavras

Quando calo, grito
E quando te olho,
me entrego a você

[Mente Hiperativa]

domingo, 22 de julho de 2012

Felicidade incolor



Felicidade incolor

Sua vida não era colorida e interessante, nunca teve um grande amor, avassalador, ou uma família de comercial de margarina, essa sempre foi muito fria e distante, por isso desde cedo afastou-se de todos, arrumando emprego e moradia noutro estado bem longe. Optou por sumir no mundo, fugir de tudo, encontrou conforto num pequeno quitinete suburbano, praticamente um cortiço, o qual dividia com prostitutas e alcoólatras desempregados. Mas gostava de viver ali, de portas fechadas e som alto era contente assim, um contentamento ameno, uma alegria bege, embaçada, que não conseguia gritar e vivia assim, muda e apática.

Trabalhava numa lavanderia, era a responsável pelo caixa. Os clientes educados lhe davam os cumprimentos, ela nunca respondia, sequer olhava nos seus olhos. Os mal-educados apenas a chamavam de estúpida e bastarda quando ela errava o troco ou a roupa a ser devolvida. De uma forma ou de outra as pessoas gostavam de destratá-la, como se ela fosse feita pra isso, sentia-se um lixo, mas estava acostumada com tal sensação desde criança. Ela silenciava diante das pessoas, com os olhos secos e inexpressivos que tinha, e estrangulava cada palavra que ousasse percorrer sua garganta em direção à boca. Do patrão só ouvia reclamação, e nem hora extra recebia pra ouvir tanto sermão. Saia do trabalho direto pra casa, todos os dias, de segunda a sábado, e não pense que se importava ou sofria com a hostilidade alheia, estava acostumada.

Suas segundas-feiras nunca foram motivo para depressão, suas sextas nunca tiveram qualquer diversão, todos os dias eram igualmente mornos, parados, nada se movia, nada acontecia. Somente aos domingos sua rotina mudava pois a lavanderia estava fechada e então aproveitava o tempo livre pra fazer faxina, lavar roupa em casa e observar os vizinhos dançando pagode e se embriagando no quintal do prédio. Nunca fez amigos por lá, nunca desceu pra se confraternizar com eles. A parte preferida do domingo era o fim do dia quando as pessoas estavam completamente bêbadas e discutiam trocando ofensas pesadas e às vezes até murros e pontapés. Não dá pra explicar o que sentia, mas gostava, aquilo lhe preenchia de alguma forma com uma sensação boa, algum sentimento de correspondência que ainda não tem nome definido.

Em casa o som alto mascarava a solidão, não recebia amigos (nem os tinha), não gostava de cachorro nem de gato, a única que lhe fazia alguma companhia era a samambaia que jazia no meio da sala. Ela estava meio morta-viva, meio seca, meio quebrada; não sei se é possível dizer que trazia alguma vida ao ambiente, mas era a única coisa verde além de mofo que habitava aquele espaço tão insalubre. As paredes eram sujas, o chão também. Na área de serviço o lixo se amontoava, ao lado de roupas sujas, engradados de bebida vazios e empilhados, caixas de papelão, restos de cerâmicas e um enorme saco aberto de adubo orgânico.


Assim ela vivia no seu contentamento ameno, sem grandes alegrias, sem noites apaixonantes, mas sem decepções ou traições, sem problemas familiares, sem grandes catástrofes. A própria vida já era a maior catástrofe que poderia esperar e nada seria tão ruim que pudesse abalar sua alegria muda de viver isolada e auto-suficiente. Não vivia por ninguém, nem por si mesma, e até mesmo o trabalho não era propriamente uma motivação, era apenas uma fonte de renda que lhe dava o mínimo para sobreviver, não tinha grandes gastos ou cometia extravagâncias no shopping, nunca caiu no cheque especial, sequer tinha conta no banco. Não precisava de disfarces nem máscaras, não criava fantasias nem ilusões, vivia a vida dura e seca, sem filosofias ou crenças misteriosas.


A vida dela era tão banal, tão inabalável, jamais daria um filme recorde de bilheteria, talvez apenas um bom livro - best-seller - daqueles que se lê no inverno frio e nos provoca o seguinte questionamento: "O que é mesmo a tal felicidade?" Ninguém pode afirmar com propriedade se ela é um sentimento gritante e indisfarçável, uma companhia eterna e inseparável, ou apenas uma vida mais-ou-menos sem grandes problemas e inquietações existenciais. Talvez seja possível ser feliz num cortiço cercado de prostitutas e alcoólatras barulhentos, sozinho num ambiente sujo e inóspito. A felicidade pode ser amena e tranquila, e quem pode dizer o contrário?

[Mente Hiperativa]