quarta-feira, 18 de julho de 2012

LUSCO-FUSCO


LUSCO-FUSCO


Sobre o crepúsculo, o amor, a desilusão e a persistência.

Lusco-fusco eu preciso saber
Nem imagino o que signifique
Não sei se é feito pra comer
Ou alguma roupa bem chique

Cantaram-lhe beleza sem igual
E que defeito algum poderia ter
Disseram embalar qualquer casal
E que faz a tristeza esmorecer

Lusco-fusco é uma velha briga
Travada entre a luz e a escuridão
Acontece todo dia e nos intriga
Despertando nossa imaginação

Trata-se de um breve momento
Do encontro entre o sol e a lua
Mas é preciso ficar bem atento
Porque ele jamais se perpetua


O sol, sabido, dá uma piscadela
Ele espera a lua poder conquistar
Ela, altiva, não lhe dá menor trela
E expulsa o pobre sol a chorar


O sol volta de manhã bem cedo
E pede desculpas pela ousadia
Ela vai embora deixando-o quedo
Pronto pra começar um belo dia

Até que chega a próxima noite
Uma nova tentativa de paquera
Mas o sol leva um novo açoite
Machucado por ela que venera

O lusco-fusco realmente é lindo
Mas causa tamanho sofrimento
Assim é o meu amor que findo
De tão bom virou um tormento

Quero ter do sol a sua coragem
Lutar dia-a-dia pelo meu amor
Sei que vou sofrer nessa viagem
Contudo me mantenho sonhador

[Mente Hiperativa]

terça-feira, 17 de julho de 2012

Vivendo de ilusões, desafiando o inevitável


Vivendo de ilusões, desafiando o inevitável

Gostava de viver a vida equilibrando pratos na ponta de varas de madeira. Cada passo era um desafio, o mundo parecia girar mais rápido, cada gesto era decisivo, cada detalhe precisava ser impecável para que tudo não desmoronasse. Essa vida era difícil, mas foi a vida escolhida; a todo momento temia que a inevitável catástrofe ocorresse, tinha convicção de que mais cedo ou mais tarde ocorreria: todos os pratos cairiam no chão e tudo se acabaria diante deles.


Mas que tolice pensar que andaria a vida toda equilibrando pratos, ou que por obra divina eles continuariam na ponta das varas. Por sinal nem acreditava em obra divina, então só restava apelar para a sorte.


Enquanto andava equilibrando os pratos o resto do mundo parecia seguir seu rumo inabalável, até que a profecia se cumpriu e os pratos se despedaçaram no chão, refletindo o que sentia por dentro. Assim, o desespero tomou conta de si, mas não havia nada mais a fazer, tudo estava perdido. Chorou desesperadamente na esperança que os cacos se juntassem, mas não adiantou.


Diante disso, tudo foi perdido, toda uma vida vivida perigosamente, todo um risco assumido em equilibrar pratos em varas de madeira, a tragédia era anunciada, apenas uma questão de tempo. E se era inevitável a destruição, se era tão óbvio o fracasso, então porque prosseguir equilibrando pratos na ponta de varas de madeira? Porque brincar com isso? 


Depois de muito chorar levantou-se, foi até a cozinha, pegou novos pratos e pôs a equilibrá-los novamente, na certeza de que uma hora iriam cair. Mas até lá... assumiria o risco novamente. Até quando será que vai brincar disso?


[Mente Hiperativa]

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Guarde sua raiva pra você



Guarde sua raiva pra você

Toda a raiva que você investe contra mim só faz mal a você! Enquanto você investe seu tempo em me odiar e tenta de alguma forma me prejudicar, eu planejo minha vida e trabalho para melhorá-la. E consigo. Nesse meio tempo você deixa de viver e de acrescentar algo a você, perdendo tempo em tentar me atingir, sem obter qualquer êxito.

Talvez daqui a um tempo você chegue a conclusão de que sou indiferente aos seus sentimentos, sejam eles bons ou ruins, espero que perceba o desperdício de tempo e energia que é tentar despertar em mim esse ódio que sentes. Que bom seria se percebesse o mais cedo possível o quão inútil é isso tudo, e quanto seria bom cuidar da própria vida, se é que resta alguma vida no meio disso tudo.

[Mente Hiperativa]


domingo, 15 de julho de 2012

Correr


Correr

Queria correr, mas não sei em que direção. Talvez percorrer a circunferência da Terra seja o suficiente pra acalmar meu corpo, minha mente inquieta. Penso em correr em direção ao sol para que ele me aqueça. Correr, correr, pra longe, pra gastar energia, pra me manter ocupado, correr, não sei pra onde, mas correr.

Quero correr. Preciso correr.

[Mente Hiperativa]

sábado, 14 de julho de 2012

Quem entende?


Quem entende?

Aos 4 anos falava de amigos imaginários, aos 7 brigava com todo os colegas de sala, aos 9 já havia passado por 4 escolas, aos 17 por 3 cidades, aos 20 tinha desafeto com mais da metade da família, praticamente só seus pais lhe amavam e tentavam lhe compreender, aos 22 o pai não aguentou mais, aos 23 já teve 5 namorados, o namoro mais longo durou 3 meses, aos 25 havia criado inúmeros personagens que nunca existiram fora da sua mente, criou mundos imaginários, misturou a realidade com a fantasia. Começou a perder-se.


Surtou várias vezes, perdeu o contato com esse mundo. Ninguém sabe em que mundo vive, se tem consciência do que fala e faz ou se acredita na própria loucura. Aos 26 anos já não sei o que faz da vida, perdi contato, pedi distância.


[Mente Hiperativa]

sexta-feira, 13 de julho de 2012

O verdadeiro EU



O verdadeiro EU


Hoje eu vou a uma audiência, pego meu paletó, minha postura madura, um ar destemido, e saio coberto de seriedade. Quando vou a um casamento eu coloco um sorriso de 'desejo toda felicidade a vocês', mesmo que eu não acredite na instituição do matrimônio. No trabalho eu me visto de médico, e isso vai além de uma bata e um estetoscópio, embora somente isso que importe para muitos pacientes; eu coloco também meu empenho em jogo, minha atenção, minha competência. Pra ficar em casa eu deixo a cara mal lavada, seca, ácida, ou rude, pode estar feliz, mas quase sempre tranquila, visto uma roupa larga, velha, mas que tem um valor sentimental. Para ir comprar pão ou correr na praia uso um temperamento cotidiano, sujeito a sorrisos fora de hora, um ar reflexivo, temperamento paciente. São tantos que visto, tantas caras, roupas, fantasias sociais. E quando estou só, quem sou eu? Sou maduro, competente, rude ou cotidiano? Todos? Nenhum? O verdadeiro eu é o que está comigo quando estou só ou o que uso no mundo lá fora? Quem é o verdadeiro? Será que algum deles é o verdadeiro? Será que há algum falso?

[Mente Hiperativa]

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Impotência


Impotência

Existem situações em que não há o que fazer, não há o que dizer, nem há o que remediar. Tudo que for dito não poderá confortar, não trará de volta pessoas ou situações e, portanto, será em vão. São palavras gastas, tentativas de conforto que até irritam - apesar da boa intenção - e não atingem seu nobre objetivo. Não há o que fazer.

E nessas horas somente o choro parece aliviar, sofrer deve ser a solução, e tentar fugir dessa dor é pura enganação. Nos momentos em que me sinto impotente diante do mundo eu me entrego a essa sensação, eu sinto que ninguém pode me ajudar, por isso prefiro ficar só, sofrer só, e depois algum choro e uma noite de sono tudo passa.

[Mente Hiperativa]