sexta-feira, 4 de maio de 2012

REdefinindo minhas urgências


REdefinindo minhas urgências

Urgência é uma palavra que eu gostaria de abolir do meu vocabulário, porém é claro que há urgências que não posso ignorar, sejam profissionais, familiares ou de outras ordens. Mesmo assim eu quero dar um novo sentido à palavra urgência, mais restrito, mais confortável pra mim. Não quero tratar como urgente tudo o que me dizem ser urgente, não quero permitir que me tirem a paz com suas urgências desnecessárias. Não quero ser acordado num domingo de manhã pelo comodismo alheio, nem quero perder meus compromissos por erros e omissões dos outros. Quero eu mesmo eleger as minhas urgências, como bom-senso que eu sei que tenho, e todo o resto será resolvido e atendido a seu tempo. Não vou permitir que me incomodem ou tirem o meu equilíbrio com suas urgências, por vezes desnecessárias, descabidas. Agora quem manda no meu tempo sou eu.

[Mente Hiperativa]

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Caminhos de Santiago


Caminhos de Santiago

Um dia abandonei tudo porque quis viajar por mundos desconhecidos, explorar outras terras, outros mares, respirar novos ares e experimentar novas sensações. Queria conhecer lugares, pessoas, seus limites, meus limites, conhecer a mim mesmo, e assim criei expectativas, cumpri parte delas, destruí o restante, quis ser de ninguém, ser de todo mundo, tentei descobrir até onde posso ou devo ir, e senti na pele a dor de ultrapassar esses limites. Por muito tempo andei sem rumo, sem dever satisfações, me senti livre, às vezes solitário, mas eu optei por viver assim, sem laços, sem promessas, e desse jeito pude brincar com a vida, com as pessoas, brincar de ser juiz, de ser Deus, irresponsável, de ser rei e ser zé-ninguém. Foi essa a vida que eu quis pra mim e não digo que foi ruim, pois apesar do sofrimento - fruto das minhas escolhas e atitudes - tive a oportunidade de aprender bastante e hoje utilizo essa experiência na minha vida, seguindo adiante a caminhada. Hoje ainda continuo sozinho, seguindo o meu caminho; não sei aonde vai me levar, mas sei que é ao meu lugar.

[Mente Hiperativa]

terça-feira, 1 de maio de 2012

Passado x Presente


Passado x Presente

Uma noite
Um lance
Um beijo
Somente lembranças do passado
Esquecidas
Apagadas
Pregadas em alguma parede do meu cérebro
Meu presente agora é outro

[Mente Hiperativa]

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Amigo



Amigo

Um café,
Um abraço.
E isso é tudo que preciso,
Saber que nas horas difíceis
Você está comigo.

[Mente Hiperativa]

domingo, 29 de abril de 2012

Preto-e-Branco


Preto-e-Branco

Achar que só existe o preto e o branco é ser muito ignorante. Como podem negligenciar os múltiplos tons cinzentos que compõem o degradê entre essas duas cores extremas? É muita arrogância determinar que o que não for preto, é branco, e vice-versa.

[Mente Hiperativa]

sábado, 28 de abril de 2012

As mais belas declarações de amor são ditas no silêncio das palavras


As mais belas declarações de amor são ditas no silêncio das palavras 

Hoje em dia dizer ‘eu te amo’ é tão natural quanto dirigir embriagado ou encontrar uma notícia de corrupção estampada nos jornais. Algumas pessoas dizem ‘eu te amo’ para o primeiro bêbado-desconhecido que lhe dá um beijo, ou para aquela pessoa com a qual passou uma única noite na vida, e pouco conhece dela. Às vezes comete-se o absurdo de dizer que ama alguém que nunca conversou, viu, ou teve qualquer tipo de envolvimento. E eu não sei o que leva as pessoas a esse tipo de atitude, talvez seja carência, protocolo, falsidade, ou simplesmente rotinização. Talvez o amor tenha de fato perdido o sentido pra muita gente e esteja se confundindo com paixão, desejo, interesses e conveniências.

É preciso abrir os olhos e encarar que a superficialidade está tomando conta da nossa cultura, sociedade e relações. E isso realmente me assusta bastante.

Eu sempre tive dificuldade de expressar meus sentimentos, sobretudo com palavras, porém com o tempo eu venho aprendendo a lidar com isso. Hoje ainda desperto a insegurança e incompreensão de muitas pessoas que não conseguem decifrar o que sinto em relação a elas. Elas precisam de palavras, afirmações de que as amo, mas muitas vezes eu não sei falar com palavras, só com atitudes. Será que todo mundo sabe ler tais demonstrações?

Às vezes penso que essa dificuldade me faça enxergar o mundo diferente da maioria das pessoas, de forma mais cética, e faça eu me recusar a entrar nesse modelo de produção em série do amor, de amor fácil e pseudo-espontâneo, que se reproduz mais rápido que bactérias, sem exigir qualquer sentimento ou consistência da relação. É o amor que não é amor, é banal, é só palavra, sem substrato. E é claro que isso não dura, logo a pessoa estará dizendo eu te amo a outro, e outro, e outro...

Dizer ‘eu te amo’ é fácil, e não tem mais o valor de antigamente, tornou-se tão corriqueiro, tão freqüente, que perdeu o sentimento próprio da palavra. Por isso hoje em dia apenas falar é pouco, é preciso provar que se ama. E há quem ainda pense que prova de amor é colocar uma faixa escrita ‘eu te amo’ na frente da casa do dito(a) cujo(a), uma bela e emocionante mensagem fonada, três mil pétalas de rosas jogadas de um helicóptero, ou quem sabe uma jóia caríssima. Isso não é prova de amor, e é tão superficial quanto as próprias declarações de amor.

Diante disso, fico observando não mais as palavras que ouço, não dou tanto cartaz aos ‘eu te amo’ que escuto, apenas observo, e observo atentamente, pois as mais belas declarações de amor são ditas no silêncio das palavras. Quem ama não precisa repetir um mantra nem lembrar o outro a todo instante que o ama, embora possa fazê-lo. Amar é ter atitude, é demonstrar, ao invés de falar. Quem ama se sente amado e tem a certeza desse sentimento, e enxerga ele em cada atitude do outro, seja num carinho, num gesto de apoio, num beijo, numa atitude de atenção, ou num simples ‘oi’.

O amor deve ser algo maior do que uma frase, e nunca caberá todo nela. Ele precisa de mais espaço, e o ganha nas atitudes cotidianas, pequenos gestos, companheirismo, na conversa, no toque. Por essas e por outras que confio mais nos atos do que nas palavras, espero ser amado, espero ouvir que sou amado, mas observo atentamente se as palavras condizem com as condutas, e se essas são sinceras. É preciso ficar esperto, pois hoje em dia qualquer um ama qualquer um, em tese, mas amor verdadeiro e sincero, ah, esse tá difícil de encontrar.

[Mente Hiperativa]

domingo, 22 de abril de 2012

Meu equívoco sobre o amor



Meu equívoco sobre o amor

Sempre achei que o amor fosse me pegar pelo pescoço, rodar a minha cabeça e me sacudir no chão num golpe quase fatal. Pensava que eu ia sofrer, que seria difícil lidar com ele, que seria árduo sobreviver alguns minutos longe da minha amada. Eu acreditava que o amor não era pra mim, que eu não saberia lidar com um sentimento tão forte e intenso, que eu perderia minha liberdade, quiçá até a minha identidade, e me fundiria a uma pessoa, me confundindo eternamente com ela.

E de repente, depois de tanta relutância e inúmeras experiências, descubro que o amor não é tão assustador como pintam os românticos do século XVIII-XIX. Sim, me parecia algo assustador morrer pela pessoa, sofrer, sentir dor, perder-se de si mesmo. Mas o amor não é assim, ele é bom, e é tão bom que não exige de nós qualquer coisa em troca, gentilmente, apenas espera.

Descobri que o amor é uma amizade mais próxima, de dois corpos que se tocam, e se amparam, e nutrem um sentimento imensurável, que à cada dia é alimentado e cresce, vigora, não sei se morre ou não morre, mas com certeza não mata. E é tão bom ter alguém assim ao lado, alguém que não te tira o chão, mas te oferece um assento pra sentar-se ao seu lado. E que não te faz sofrer, não, isso não é amor, ele te dá aconchego, apoio, ternura, isso sim é o verdadeiro amor.

Depois de tanto tempo me questionando acerca da natureza do amor, pude perceber que estive equivocado. O amor não faz mal nem castra os seus amantes, ao contrário, ele dá asas para que possamos conhecer lugares antes nunca visitados, podemos vivenciar uma sensação boa de que não estamos só, e que podemos viajar sem nos perdermos de nós mesmos. Amar é ter alguém pra contar, pra dividir, e jamais se anular. Amar não é pra fazer sofrer.

[Mente Hiperativa]