A depressão é sem dúvida um dos grandes males do século, atinge boa parte da população em níveis variáveis e certamente já acometeu ou ainda acometerá todo o restante em algum momento delicado da vida. É inevitável, mais cedo ou mais tarde sempre bate aquela tristeza mais profunda e agressiva, que te tira as forças e a energia, suga sua vontade de viver. Ela pode ocorrer diante de uma grande perda, uma decepção, uma doença, e muitas vezes surge sem qualquer evento ou sentido aparente.
Então, falando da depressão, o que venho me perguntando recentemente é: será que é preciso sempre temermos a depressão, tratá-la com remédios, fugir dela como se foge de um monstro terrível? Será que ela é totalmente ruim e destruidora?
Ou será que ela tem algo a nos ensinar?
Quando se fala em depressão, logo uma palavra vem em mente: anti-depressivo. Porque é óbvio que pensamos numa forma prática e imediata de combater esse mal, e é assim que a mídia e a indústria farmacêutica nos ensinam, nos entupindo de remédios. Às vezes penso nos efeitos dos remédios, inúmeros e imprevisíveis, imagino todos os problemas que serão esquivados diante desse tratamento medicamentoso, as angústias que não serão sofridas, o amadurecimento que não será vivido, a experiência que não será acumulada. Será mesmo que vale a pena se entupir de remédios e se enganar, fugindo do problema e da sua verdadeira solução?
Não descarto totalmente o uso da medicação, há casos de todos os tipos, inclusive casos graves. Além disso, o remédio pode ajudar bastante inicialmente e evitar as famosas recaídas. Mas será que o remédio, sozinho, faz todo o efeito? Acho pouco provável que o indivíduo em depressão se cure da sua profunda tristeza e apatia diante da vida apenas com remédios que regulem sua bioquímica cerebral, afinal não somos meras máquinas secretoras de hormônios do prazer, pensamos, temos ideias, conflitos, problemas. E quando fugimos deles, não há remédio que nos mantenha bem por muito tempo.
Então no fim das contas talvez em muitos casos seja importante lidar com a própria depressão, tentar descobrir a razão, pensar, pensar e pensar, sofrer, porque isso faz parte também, e depois se levantar mais forte do que antes da queda. No fim das contas a depressão e a tristeza podem te tornar mais grandioso do que antes, mais maduro, capaz de enfrentar os próprios medos e as angústias, sabendo lidar não apenas com a felicidade, mas também com a tristeza.
E se você apenas toma remédios e foge disso tudo, o que aprenderá? Se você apenas se mantêm dopado e alheio aos seus questionamentos íntimos, evitando entrar em conflito consigo mesmo, como irá aprender a lidar com a angústia? É difícil, desse jeito mudam-se os remédios, as crises vêm e vão, e você permanece sem qualquer sentido ou rumo na vida, pois nunca saberá lidar com certas questões ou consigo mesmo.
Então eu pergunto, qual o remédio para a depressão? Aquele que te faz encarar a si mesmo ou aquele que te ajuda a fugir dessa batalha?
[Mente Hiperativa]






